segunda-feira, 30 de abril de 2007

Anátema.

O Homem se fez menino,

Para viajar por entre as ondas cósmicas

Desse mundo prolixo.


Fez-se pedra, acobertou o mal,

Solicitou a mentira,

E morreu em paz.


Quis ir pelo mar

Onde um dia, ainda grande, era o Amor.

Chorou pela chuva

Como quem ainda a sente,

E interpretou com erro uma Sagrada Escritura.


Ainda jovem desobedeceu a seu Pai,

E fez do inimigo um Amparo.

Pestanejou durante aquele dia,

E foi-se um pouco mais,

Pelo caminho escondido à luz.


Derramou-se ali,

Junto à verdadeira escória,

E sendo assim tornou-se uma traição aos homens.

Voou, ainda hoje, pelo calor do Amparo

E descobriu-se ínfimo.

Olhou-se, ainda ontem, no espelho e viu-se herói.


Amanha há de morrer.


Envolveu-lhe agradável nostalgia,

E ele sorriu.

Gritou-lhe aos quatro ventos o Sábio chamado Silencio,

E ele ouviu, sem atenção.

Escalou a montanha,

E regalou-se com a beleza de Uma

Com olhos de Ametista.


Implorou a Ísis um dia ao seu lado,

E não foi atendido.

Saboreou em devaneio

A beleza da Rosa.

Envolveu-se em sonho com um anjo

E chorou…


Procurou a liberdade,

Mas tornou-se dela um escravo.

Quis um pouco mais,

Perdeu-se.

Buscou um caminho de volta

À sua

E, sem querer, adormeceu.


Acordou com raios de trevas cor de luz

No corpo nu e assustou-se.

Sentiu-se em ignifero lugar

E teve medo.


Correu sem direção,

E descobriu um abraço álgido

E amigo

Chamado Morte.

sábado, 28 de abril de 2007

Sem titulo

... ele costumava se sentar à beira da estrada
e não pensar em nada, para não chorar
e quando uma lagrima insitia em se derramar
erguia-se ao som daquela chuva, cheia de trovoada

sonhos em um caixa (soltar)
ouvidos sempre como em uma esfera
logo chegaria uma, a quem espera
como o estrelado céu (brilhar)

uma bola de cristal
sempre gostou de cantar
(ainda criança aprendeu a sonhar)
como naquela noite, natal

em que o vento entrou (correr)
[e o som do espaço era amargo]
com gosto de morango
uma verdade lhe ocorreu (haveria de sofrer)