quarta-feira, 2 de maio de 2007

Um amor fantasma / Amarga fragilidade / O irreal

I

“Cantou comigo?

Não recordo doce amor…

Dança?

Sim ela era bela.”


Acordei nos braços da nostalgia,

E sorrindo pus me a cantar,

O Amor estava ali o tempo todo,

E apenas eu o via.

O radio sempre tocava a mesma musica,

Todo dia,

Sem parar.

E eu nunca me cansava de estar como o Amor…

Ele me dava força,

Dava beijos,

Atenção, e todo o mais.

Perdia o senso de verdade e corria pelo nosso mundo,

Abraçava o vento gélido e me lambuzava em sua brandura.

Oh, como era amável… mas sempre sumia ao anoitecer…

Só voltava à morte da noite,

A ressurreição do dia.


II


“Não me chame de frágil,

Nem de louco, nem de nada,

Tente me conhecer, e não olhar em meu passado,

Mas não me chame de frágil!”

O que importava se eu não o suportava?

Qual o problema em chorar?


“Nado, nado, nado…

Por horas e horas sempre nado,

No mesmo rio,

Na mesma hora,

No mesmo jeito

E não me diga se devo ou não nadar no rio que me cerca…”


E daí que choro fácil?

Qual o problema em se irar?


“Você não é o ser-em-mim,

não sabes nada sobre ser.”

E daí que agi precipitadamente?


III


Choveu sim,

Eu sei que choveu,

Eu senti a chuva.

O seu sabor era de um doce amargo,

O seu frio de um calor solitário,

A sua cor era de um azul intenso,

E o seu toque era álgido…

Um perfeito anátema…


“Julgar o irreal e se tornar utópico demais”,

Isso é falso,

Eu é que sou de verdade,

Que importa que sou papel e tinta?

O importante é voar"

Um comentário:

  1. Tenho este poema como emblema, um marco no tempo,
    de quando o poeta era menino e de repente vi sua alma
    atemporal escrevendo versos que só um viajante das estrelas
    poderia escrever.
    Lembranças ao pé do Olimpo daqueles tempos no e
    terno.

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