sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Red than Black

. Então você desperta com a sensação de ainda estar dormindo. À sua frente a paisagem cinza e barulhenta dá lugar ao silêncio de paredes escuras. Ninguém te percebe. Ninguém quer te notar. Você caminha enquanto a face de três mundo desconhecidos vão se mostrando e tem a certeza de que não existe céu, nem inferno, mas seu lar certamente foi um purgatório.


Deviam ter visto melhor, as palavras que jorraram de sua boca, ou até mesmo ouvido melhor os idiomas que você pintou.


Mas ninguém quis perceber. Ninguém quis notar. Ninguém quis.


A cada passo, o corredor cresce, gélido, negro e aconchegante como a noite – sem nenhuma Lua para te cortar.


A cada passo, os Juízes vão te chamando ao chão, mórbido e sombrio como a primeira noite – mas sem nenhuma Lua, só para te matar.


- Por onde tem andando?

- Por aí...

- Quer falar sobre?

- Não...

- Por quê?

- Por quê, você pergunta... Por quê eu não sei dizer.

- Falhas acontecem.

- Eu sei. O espelho me lembrou disso hoje noite.

E quando o corredor se completa, o abismo te encara – negro e acolhedor, como a Lua em sua noite cheia - te convidando para um último passo, uma última dança.

- Entre no plano. Não há banda. Não há som. Não há música.

E você cai... cai e se encontra, enquanto pergunta-se e se pergunta...


Pintando de vermelho a voz mórbida e pálida de uma noite sem Luar.


Um comentário:

  1. Existe uma gama de palavras bonitas para expressar reações a esse texto. Mas pela lei do menor esforço, vou recorrer ao grito primitivo que minha alma solta ao ver as referências presentes, as metáforas bem-colocadas e o surrealismo onírico disso: "Do Caralho!"

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