quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dez coisas que eu ( ) em você.

EU ( ) Seu cabelo bagunçado
Seu sorriso sem graça e calado
Suas pernas estranhas
E sua voz murcha.

Eu ( ) seu jeito despreocupado
Sua cara de filhodaputa maltratado
Seu sarcasmo infantil
E seu desinteresse.

Mas acima de tudo
Eu ( ) tua falta de ( ) próprio
E o fato de que nós [ ] jamais { }.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Autoria

Eu queimei tudo:

O cheiro
O tato
O paladar
E a sensação do teu sexo

Joguei tudo fora:

A foto rasgada
A cama vadia
A sombra no espelho
E a imaginação pelo teu sexo

Eu chorei tudo que havia dentro:

Este sentimento
Esta dor e o lamento
Este buraco no peito
Formado de um vazio infinito

E agora não me resta mais nada:
Amor só é útil quando se quer escrever um livro.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ditando as Regras


- Senta.
- Onde?
- Senta.
- Onde?
- Senta.
- Onde, porra?

- Na casa que te dei, na comida que paguei e no ônibus que te leva. Senta.

Senta ou te tiro tudo e te mato e é isso.

sábado, 17 de dezembro de 2011


Essa coisa de poesia é uma grande filhadaputagem.
Uma instância sádica e satírica.
Filha-da-puta,
Como aquela figura por quem se apaixona e ri da sua cara
Da tua desgraça.

E eu sou algum tipo de masoquista.
Só pode.

vcrxx


No ritmo da música

Tun - dum - tun - dum - tun - dum

E ai o som
Disperça
A louca peça

De norte
De sul
Sem leste
No sudeste

- assiste um video comigo
- ouve uma música comigo
- rola na cama comigo
- deita no peito

Beija o meu delirio.

tun - dum - tun - dum - tun

E você

Você não sabe

Você faz

tun dum tun dum tun dum tun dum

- ASSISTE um video comigo
- FALA de amor comigo
- Me odeia só por hoje?

Só e-

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzap

- Cara, tu leu isso?
- O quê o quê? Indícios?
- Que nada!
- Quê então?

Essa porra não fez o menor sentido, ca-


pazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Goodbye, I-i-i...


When I leave next day
Like that
Silent - with the rain
Please Goliath, don't you cry

Kill us both in one shot
And let this guilty alone to die

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Adeus você, eu vo-

Quando eu for embora
Assim
De canto
Por favor, Golias, não chora.

Nos mata de uma vez
E leva a culpa lá pra fora.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

desabafar é preciso, amar também é preciso


é tão ridiculo
como eu sinto sua falta
mesmo quando voce está por perto
assim, do meu lado
rindo sem olhar pra mim
bem legal... sei lá


é meio triste
saber que não te atraio
assim, saber que o que sinto é desnecessário
que não faz diferença alguma
que não tem força nenhuma


é tão desesperador, saca...
tentar e tentar e não conseguir nada
e ter que fingir o tempo todo um bem-estar
só pra que não perceba(m) meu mal-estar
e te constranger


é tão confuso e estranho
como eu fico te chamando em meus sonhos
e mesmo dentro deles
não há nada de concreto
além o meu auto-engano


eu queria tanto te ver feliz
assim
de forma plena
feliz


ate penso em subverter meu orgulho
ir de encontro ao norte
propor uma paz
e incentivar esse absurdo


queria tanto que entendesse esse dilema
esse desabafo completo
em forma de falho-poema


é que tô tão desesperado em imaginar
que se eu fosse o norte
tudo seria diferente


tõ cansado de desejar
ser o torpe norte
só para poder te beijar


tô meio enojado de não aceitar eu
e querer me transmutar


não sei mais o que faço...


o abismo no peito cresce todo dia
desejando teu corpo
cobiçando teus olhos
suplicando teu colo
amando desesperadamente a vontade de Estar Em Tua Companhia...


Amo tanto amar isso que amo
Mesmo sabendo que não foi esse plano


Mas é sempre assim
e meus traumas
e meus medos
e essas vontades
e esses desejos
esse grito silencioso
não vai te afetar em nada
- é sempre assim -


e eu continuo me iludindo sem querer
e eu continuo te amando
AMANDO verdadeiramente
De forma genuína
me submetendo ao desespero
abaixando a cabeça
forçando o riso
pra que ninguem perceba


Só pra poder fingir a mim mesmo que um dia você vai me amar
e dizer
que everything's not lost...




II


fica comigo


III


Diz que me ama


IV


Não suporto mais esse fantasma do último fim de semana


v


Por favor


VI


Me abraça


VII
Me leva pra cama


VIII
Deixa nós dois juntos sermos felizes


XIX
Diz pra sua mente que me ama


X
Me mata de uma vez.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

I Fell in Love with a Dead boy I



- Ele está morto – disse Henri do outro lado da linha.
- Mas... como assim? Você mesmo disse ontem que...
- Eu sei, eu sei... Os médicos também não entenderam. Ele simplesmente não acordou mais.

Tu tu tu tu tu... Desliguei o telefone e um abismo temporal se fez no meu quarto.
Hoje era seis de dezembro. Meia-noite. Cheiro de dia cinza se esgueirava pelas ruas do meu imaginário. Deitados sobre a minha cama jogavam-se textos escritos por um defunto, em meio a fotografias rasgadas, onde me esvaziava nos braços de estranhos recém-descobertos. Silêncio. Uma mão fria e delicada me tirou para dançar, enquanto o telefone era puxado das minhas pela gravidade e corria em câmera lenta rumo ao chão, revelando a intimidade entre espaço e objeto, rindo de mim com ar de romantismo satirizado: o branco do plástico com o tom cinza do fundo que o esperava para juntos estremecer, para juntos fazerem o aparelho quebrar, emitindo um grito refinado de algo que se despedaça, e se reflete em outra, a rompendo, ou o rompendo, ou me rompendo, e em questão de segundos tira da gente toda a magia do

silêncio
(                   )

a mão que me tirava pra dançar.
Cinquenta e quatro exatos dias antes – um teletransporte:
- É que eu te amo...
Houve silêncio e constrangimento.
- Não consigo mais respirar sem pensar em você...
Houve constrangimento e silêncio.
- Eu te amo de verdade...

E eu fiquei com o silêncio. E foi isso que nos acompanhou nos dias e semanas seguintes. A cada nova menção da ideia eu te amo, eu pensava menos ainda em amá-lo – riamos disso, de fato, porque dar um toque lúdico à sua desgraça facilitaria as coisas para mim e evitaria o fim de uma amizade – amada amizade. Então nos corrompemos na ideia frustrada de que ele ficaria bem – como nas noites em que eu chorava em seus ombros as dores de meu verdadeiro amor não correspondido, ou quando ele chorava encolhido dores por me encontrar em braços e bocas e corpos alheios, conhecidos ou não, tanto faz, dava na mesma.
Não sei o porquê, mas só ele naquele mundo todo não atraia minha atenção. Carma.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

hoje, sábado


E se assim se manifesta
De quem importa o dilema, boba?

Os vultos
Resquício de um sábado passado
Se são só aquelas duas figuras
Fingindo nada, enamorado...
De que importa o poema, tola?

Se é no fechar
Os olhos semi-abertos
Para ficar no escuro
Como no escuro daquele espaço com fumaça e luz e gritos e nada
Só para se sentir em pedaços
Involuntário
De que importa o sonho, idiota?

Nem os teus versos
Alma
Refletem mais nada
Só erva daninha,

Nem os gestos,
Alma
Ecoam mais nada
Só desespero em ventania.

Continua chorando no silêncio do quarto
Como um feto
Sem abraço
Nem nada.

Contempla todo hora
Todo fracasso
De um sábado frustrado

Alma-coisa,
Alma-tola,
Alma-minha...

Que será de nós agora
Se não é mais nada no dia?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Paródia

E se quiser?
- não come -
E se falar?
-não corre -
E se fugir?
- só fume -
Se escorregar?
- encolhe -

Quando eu morrer
- vai embora!
Vou te chamar
- lá fora...
Se quiser
- na fonte -
Vamos fingir
- se esconde.

Porque ai
Lá no fundo
Eu vou tingir
De escuro
O teu cantar
Dantesco

- Mas vou te falar.
- Que foi?

Me esqueço.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Câmbio

Meu imaginário coletivo:


Várias formas


- Os Gritos de dois vencidos.


Comediantes negros de uma paródia:


Meu imaginar instintivo


Quase uma rapsódia -
Depois de uma elegia perdida
Ou uma Prosopopeia de agora.


(pegandoasombranosustoemurmurandoemteuouvido):


Te imaginar no meu coletivo
Com Golias
É o fechar da aurora...
É finginr que não sinto
É uma poesia sem forma.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Despreza mais

Então é isso
Eu fico aqui com meus vermes
E você fica com medo de longe


- Não dá pra pegar nessa mão
Não dá pra beijar essa boca
Não dá pra segurar esse corpo
Não dá pra tirar tua roupa.


E vou ficar aqui limpando meu sangue
Que escorre sei motivo ou saber.


Vou ficar aqui morrendo de fome
Dessa angústia sonora
Em não ter.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Idiota


pensando 
pensando
pensando
tentando tentando tentando
mentindo 
mentindo
mentindo
sonhando morrendo acordado
fim.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Alguns recados

- Tristeza mandou lembranças
- Melancolia disse que tá voltando logo
- Depressão está pegando o ônibus
- E o choro ainda tem esperanças.


- A alegria tá pensando em ir embora
- E Carícias disse que não adianta.

Narcisismo

E tente esquecer as demandas
O arquétipo simples
A beleza polida

esqueça essa atração reprimida

E tente imaginar o contrário
Que seu corpo é um corpo
E seu rosto um atalho

esqueça essa atração inibida

E tente fingir as verdades
Ouça os "nada a ver isso ai"
E faz-de-conta-que-vão-te-olhar-de-verdade

esqueça o verso da música

E contente-se com sua mão
Obedeça ao seu desespero
E, no fim, seu rosto vai virar mais um poça de lixo ou um bueiro.

Pesadelo

E esse vislumbrar
do seu eu-sonhando:

De lado
As mãos próximas,
braços colados,
e a calmaria no rosto.

Pálpebras fechadas,
mas olhar atento.
Me faz rir esse sorriso leve
Que só sente-se como o vento.

E as pernas que as vezes se movem
E a respiração que as vezes se enaltece.

Esse vislumbrar
Do teu sono
Essa cara de anjo, que no fundo é demônio
É o sagrado momento.

Esse vislumbrar do sono
É o vislumbrar fragmentado
do lamento.

E de sonho em sonho
A gente acorda assustado.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Não, eu não deixo.

Deixa eu continuar brincando
Continuar sonhando
Agindo de forma pouca
Fazendo de conta que adianta 
E que não se estraga a poupa.


Deixa eu continuar dizendo que abandono
Quando em sonho
Corro pros teus braços
E apago o pranto


Deixa eu tocar teus cabelos
Deslizar por entre eles
Diminuir os teus medos


Deixa eu tentar o contrário
Correr pelo quarto
Te tirar do nosso armário
E sair por ai.


Deixa eu gritar o sinto
Perdoar o cínico
Enquanto Golias chora
Do lado de fora.


Deixa deixa deixa...
Deixa amar enquanto não vou embora.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ensaio sobre a Feiura:


Se eu fosse o cara da esquina
Que te olha de lado
Aponta para o quarto
E te faz gozar sem motivo

Ou se fosse o desespero alcóolico
Que leva boca de uma sombra
Ao teu grito bucólico

Se pelo menos eu fosse o estranho
O desprezo não seria profano
E poderia seguir em paz.

Putz,
Se pelo menos tivesse algum agrado
Algo mais útil que um amor desesperado...

Quem sabe um olhar brilhante,
Um falar radiante,
Um sorriso bonito.

Talvez não ensaiasse sobre coisas como o tempo.


Matemática [Oh my soul...it's so hard.]

Como foi pensado
Você deve pensar assim

Enquanto uns sabem amar
Tendem a não sorrir

Enquanto outros tendem a amar
Não sabem sorrir

Tem uns que tem tudo e outros que não

Tem um ou outro que sabe amar e sorrir
Porque se amam entre si

Tem uns assim
Que amam e são amados
Mas não por quem amam

Tem uns que ficam no segundo amados da estrofe acima

Tem uns que
Tem uns que

Sei lá.

Diálogos Silenciosos IV

Ao sair de lá, foi ao seu quarto mas ficou parado em frente a porta, apoiando a cabeça contra a madeira fria e socando a parede morna. Tinha dor-de-cabeça-imaginária, e não sabia de verdade o que havia acontecido de verdade. Só enxergava vultos. Um. Depois mais. Depois dois. Depois só o seu próprio se arrastando pelos corredores, indo lá embaixo, subindo e descendo, e depois caindo no chão atrás da escada.
E agora a porta, a parede, a dor e o quarto:
- E não vai ter jeito mesmo.
Dava para ouvir o abismo dos outros contos tomando forma sólida, se contorcer e morder o próprio rabo. Serpente. Oroboro. Pecado cíclico. Infinito.
Ai tocou o celular:
- Oi.
- Cadê você?
- Tô aqui ainda...
- Queria apagar...
- Volta aqui.
- Não.
- Porque eu insisto e persisto em me iludir.
- Não diz isso.
- É a verdade.
- Não foi sua culpa.
- Sempre é minha culpa, sei disso.
- Não.
- Sim e

e quando o abismo grita quem cai sozinho na cama, chorando, lamentando, imaginando, consolando o rapaz ali ao lado, imaginando um dialogo silencioso e programado.
- ... é você.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

É porque eu te amo.

- oi
- oi
- beleza?
- beleza
- legal

- então
- quê?
- vai tomar no teu cu
- hã?
- filhodaputa.

Pra dizer que não falei


- Oi, tudo bem? É sou eu, sim, isso, eu sei que disse que ligaria ontem mas não tive tempo, quero dizer, na verdade eu tive mais, não, não é que te ignorei haha, eu jamais faria isso, eu só queria dizer que, o que, você precisa sair? não, mas não tem problema, eu quero ser breve também, a bateria vai acabar em uns cinco minutos, é que, sim, eu sei, não, também não penso assim, olha só escuta por um instante, é que já faz um tempão que eu venho tentado te dizer, sim, haha, eu lembro daquele dia que fiquei bêbado e fiz, é, eu sei, sei, não tem porque rir disso, foi triste, é você tem razão, você sempre tem a razão, é quase como a minha consciência e, não! por favor eu não quis dizer isso, não, não quis te ofender foi só um comentário, isso ate me deixa feliz na verdade, parece que você me lê haha não sei dizer, gosto disso e tudo mais, como naquela vez em que eu dormi no seu quarto e ai você me disse aquelas coisas e ficamos rindo haha, verdade, hã? agora? eu só to tomando um café e fumando, é eu sei, você acha que o cigarro vai me matar, haha, não, eu tenho fumado pouco, hã? a dor de cabeça? sei la, as vezes ela volta mas, não, não tem porque, já fui ao médico, ele disse que é psicológico e mandou eu parar de fumar e beber mas não da haha, sim, eu sei, você concorda com ele e tudo mais, hã? sim, eu escrevi um conto outro dia haha, sim, sobre a festa e tudo mais, é, aquela que você não pode ir, sim sim, verdade, foi divertida, haha, claro que não, com você la teria sido melhor, hã? como assim por que? haha besta, não fala isso que eu dou risada haha, viu, mas deixa eu falar que, ah, tudo bem, eu espero dois segundos e, o quê, não precisa, ah, melhor, assim posso falar logo que, oh, sério? o filme eu vi também mas não pensei que fosse acabar daquele jeito haha, não, gostei, realmente, e voc- ah, você também gostou, isso é bom, acho, não sei, olha, a bateria acabando e eu nem disse, haha, viu? você me controla mesmo sem perceber haha sim verdade, ahhhh, pois é, bizarro, né? como se pudesse haver algo entre eu e você haha, nada, oras, é obvio, como assim obvio? porque é, oras, beleza fugiu de mim e haha, que nada, conheço mil caras melhores pra você e tals, hã? não, na verdade não, eu só queriaa te dizer que, isso, isso mesmo, o convite, eu encontrei embaixo da porta, hã? sério? você não me achou aqui então, entendi, é, eu devia mesmo ter saído, haha, que idiota, mas me deixa falar, hã? que roupa você usa? não sei, humm, é, a azul, você fica bem de azul e etc, não, eu não haha gosto mesmo, mas olha, me diz o que você acha dessa coisa de eu gostar de voc- hã? haha, serio mesmo? que loucura tudo isso, haha, hein? wow, a bateria, olha, vai acabar, antes eu só queria dizer, haha, pois é, eu te amo, mas haha, sim, eu sei, relaxa, não é isso, hã? ahah nada disso, haha, olha, é que já faz um mês desde aquela noite e, sério? ele fez? que doido, mas me ouve, aquela noite foi a melhor em vinte anos, haha eu queria agrade- hã? não me ouve? acho que é culpa da bateria e, olha,  eu queria te abraçar de novo como aquela noite e, oi, oi, tá me ouvindo? não, é que dói muito haha, hein, hã, ok, mas antes de desligar pelo menos deixa eu ouvir você dizer que- isso mesmo, a azul marinho, fica bem e tals, haha, olha sério, eu preciso falar, hã? não ouve? eu sei já falamos, mas você cresceu e as raízes ficaram lá no fundo, ta difícil tirar haha, oi? não, o que eu queria dizer mesmo é que

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Melancolia


Quando acordou naquele dia, não sabia ao certo se os pedaços de lembranças em sua mente eram realmente memória ou apenas a reminiscência tortuosa de um conjunto de sonhos. Não havia dor de cabeça, sinal de que mais uma vez alcançara a glória de beber muito e não sentir nada além da amnésia que de vez em quando aparecia. Olhou os copos espalhados pelo chão, o conjunto de garrafas empilhadas em um canto ainda escuro do quarto e tentou se lembrar de algo mais:
- Ele estava aqui – concluiu de imediato.
A ideia de dar uma festa no seu quarto havia sido apenas uma desculpa esfarrapada para não ficar sozinho. Beber com os amigos vinha sendo, nas últimas semanas uma fuga. Mas de fato, não é que sentisse a necessidade de estar perto de outras pessoas, ele as tinha o tempo todo. O que sufocava era o buraco no seu peito. Vinha crescendo ali um abismo que não se podia explicar. Uma angústia mentirosa que o fazia cada vez mais e mais querer ficar perto de...
E o telefone tocou interrompendo seus pensamentos. Em meio a roupas sujas e copos descartáveis, encontrou o aparelho e o atendeu:
- Alô – disse uma voz masculina do outro lado.
- Oi – respondeu ele, reconhecendo o outro.
- Só queria saber se você... sei lá... está bem?
- É, eu... eu...
Ele não soube responder. Como em um passe de mágica, aquele milésimo de segundo entre pergunta e resposta se converteu em uma eternidade jamais sentida. Ele não sabia o que dizer. Naquele momento não havia “Eu”, somente um punhado de frases incompletas cheias de reticências. O abismo interno que o sufocava, sem avisar, começou a o corroer de forma mais rápido. Precisava dizer algo, queria dizer algo, mas não sabia o quê.
- Eu não sei como estou – disse por fim.
- Olha, sobre ontem...
- Tudo bem, não me lembro de muito.
- Você me contou tudo aquilo, mas eu não sei se posso...
- Deixa pra lá.
- Você vai ficar bem? – preocupou-se o amigo.
- Provavelmente não por um tempo – conclui ele, desligando o telefone.
Enquanto as lágrimas dançavam por seu rosto, e os olhos ficavam vermelhos como sangue, o abismo terminava de devorar os últimos pequenos espaços no peito.  Ele caiu, em meio ao lixo de seu próprio quarto. Um dia se lembraria plenamente da noite anterior, e de todas aquelas coisas piegas e necessárias que contou a quem amava. E choraria por um para sempre indeterminado.
Quando se levantou horas depois e foi se banhar, o telefone tocou de novo. Trazendo mais combustível à sua melancolia.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Stupid Femme

Deu vontade de falar nada
Fingir uma rima
Forçar uma caça


Brincar de morte
Correr pelado


Deu vontade de fingir que sou palhaço
Ai comecei a correr
E não parei de fugir


Porque deu vontade ser, 
Estar
E não sentir.


Deu vontade de ir embora
Ora ora ora... deu vontade de ficar.


E agora,
Me arrependo,
Lanço a pergunta
E evaporo no ar.


Começou o choro
E deu vontade de parar.

Diálogos Silenciosos III


É meio complicado quando se para pra pensar. Sempre imagino exatamente o que dizer, e as reações que deveriam acontecer:
A porta do quarto se abre:
- Oi – ele diz.
- Oi.
- Eu vim...
- Eu sei, está em cima da mesa...
- Você tá bem?
- Não muito...
- O que houve?
- Eu quero ser seu...
- Cara, eu...
- Eu sei... mas não é justo.
Ai deita do meu lado.
- Não gosto de te ver sofrendo.
- Eu não sei o que fazer...
- Você merece coisa melhor.
- Não... acho que não mereço nada não.
E quando sai pela porta. E no dia seguinte.
A vida continua.

sábado, 29 de outubro de 2011

Utopicalismo


O caminho é parar de correr.

Não lutar,
Não chorar,
Não gritar.

Esquecer o que é sofrer.

Até porque,
Não te ter ao meu lado,
É ter.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sugerência

Revoluções de agora
Verdades de outro dia.
O mundo corre lá fora


Ninguém dá a mínima pra tua poesia.

Tarantismo


vejo tantos
ruidos
por entre versos comprimidos
que me perco
assim
por entre meu becos
algo inspira a dor
e todo a dormencia
desses formas lucidas de demencia
no fim do meu apocalipse
se tornou rebeldia


eu me esqueci das regras
sinais, tudo regalia


sinais, sinais
ninguê nunca lê os sinais
ninguem quer os sentir
nem eu desejo os tocar


toda meia-noite cambaleia
e tropeça nessas palavras


eu me escondi no esgoto
e me tornei o nada.


----------------------- uma outra forma de se falar do mesmo e.... tal:



Sente ali
Sinais, sinais
Ninguêm lê os sinais
Nem eu os vi


É tudo assim meio -
Inspira a dor -
Não sei.


Arghhhh
Dor!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cauterização


Tantos sonhos negros
Tantas formas no deserto
Soam como apostasia
Cicatrização.

Tombo a mente
Inclino o coração
- Não há o que pensar.

Desonra – do querer.

Arrrrrrrrghhh é!

Tanta coisa vejo
Tantas glórias degenero
Mas será isotopia
Ou podridão?

Fecho o corpo
Abro a respiração

Calúnia!
- Há de ver!

Iiiiiiiierrrghhhh.

Poema finito.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

À la Pethit

Esperando o dia em que você irá
Já que logo não terei nada
Interessante a te contar

Difícil... quem saberá?
Toda segunda é fria
E não há mais sol pela manhã.

Ficou triste, pensei
Tomou-se forma nosso silêncio
E decidiu parar de gritar

Então me espere, esqueça
Ou nós dois.... amanhã.

Não espere, não minta
Ou logo dirá....
e eu direi.... pra ficar.



Je t'aime


And
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
From you
For me

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Diálgos Silenciosos II


Quanto tento recordar os sonhos é mais ou menos assim:
-... mas eu não sei, tenho vergonha.
- Eu queria poder te ajudar, mas... eu também não sei.
- Ás vezes gosto de ter esperanças porque...
- Não, por favor! Isso só vai piorar tudo, eu não quero te ver...
- O quê?
- Não vou conseguir...
- Eu gosto de você.
- Eu também... mas...
- A culpa foi minha....
- Não foi.

Mas a verdade é que por mais que tente, Golias parou de ser claro comigo.

Uma e 10 da manhã

Se transforma
E equivoca
Deixa ser e recoloca

Conta fora
Canta dentro
Deixa estar e o momento

Vertigens na meia-noite.

sábado, 22 de outubro de 2011

VCR

Na verdade, queria mesmo era deitar e curtir o momento. Ainda que fossem dois ou três, a sensação continuaria sendo essa - a de estar sozinho.

Então não faz diferença, certo?

É difícil pensar assim... nem sei o que quero escrever. Queria era parar de querer.

Mas não dá.
É como ficar sem ar...... o foda é que ficam 2 chorando, 2 rindo, 2 sofrendo, e só 3 amando.

Então não faz diferença se eu continuo fingindo que voce vai... que eu irei... sei lá, pode ser.

Caralho... a segunda vez é bem pior mesmo, Cortázar..... bem pior.


I wanna find myself by the sea
In anothers company
By the sea


3 de Julho de 2009 - Bis.

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Mas...
O quê?
Pesado...
Fardo!
Por quê?

Leve...
Preso!
Angustia... não!

Diz a verdade -
Não diz não!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Hora de acordar do Pesadelo e Enxerga-lo como Fatos


Não encontrei nem pau
Nem pedra
Mas chegou enfim o caminho

Um pouco mais de desgosto
Muito menos carinho
Sobre cacos de vidro
Sobre meu linho.

Só o chão
A terra
O derradeiro descaminho


Onde amar não é o básico
Onde sofrer não há de passar
É passarinho

II

Uma semana depois
O idiota chorou
E o outro calou
E o sorriso se desfez

Nem gim nem vinho
Nem morango, amorzinho
Vai calar o seu ar agora

Te ver feliz tá sendo festa
Mas mandei a alegria embora

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Idealizando um Discurso Impronunciável

Criando a cena
Montando o cenário:

Um em cada ponto
Um em cada lado

Chora-se o discurso
Suplica-se um afago

Lamenta ao Moribundo
Diz adeus ao agrado.





Fim de todas as coisas.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Concertina Muda



Concertina mais muda do que nunca.
Não sai uma nota que se preste,
Um som que se enaltece.
Só um monte de porcaria.


É foda, porra!
Fuderam com minha poesia.

Mania masoquista


O amor é uma construção
Então por que não intenta
Projeta-te sobre o meu
Abraça o que na minha essência já é teu
Ao invés de por outro chorar
E nos reinventa?

Se for possível tentar enganar sua mente
Eu aceito meu argumento como demente
Mas pelo menos
Vamos brincar
Por hora
De amar.

- Não.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Passagens do Dia


O celular vai cantar três vezes antes de você acordar e, quando o fizer, vai quebrar o silêncio. Nada de novo vai acontecer. O lençol vai escorregar até os seus pés, para serem resgatados até o alto de sua cabeça, enquanto seus olhos, de novo, fitam o relógio.
Hora de acordar, você se diz. Mas não levanta.  Ao invés, vai permitir que seus pensamentos afundem no sono, e que sua mente deite um pouco mais na dormência.  Nada de novo vai acontecer. E é lutando contra essa vontade louca de ficar ali sem fazer nada, que se levanta. Olha ao redor, e os outros dois estranhos ainda roncam – não se importe, você pensa. Desliza os pés por entre os chinelos e apenas com a luz que invade o pedaço da janela não ocultado pela cortina do quarto, se arrasta cambaleante e morto-vivo até o chuveiro.
- Hoje vou dormir mais cedo, você mente.
E quando piscam os olhos, o ambiente mudou, o tempo passou, e seus sentidos nem perceberam – é o efeito da rotina. Enquanto finge com seus amigos uma piada qualquer do café-da-manhã, ergue o cartão e a primeira passagem se faz: hora de entrar em uma viagem rápida, para um lugar rápido.
- Se estiver com sorte, vou ter um lugar para sentar, você pensa. E isso acontece.
Nos seus fones de ouvido há um silêncio tumultuoso, enquanto a voz de um ser distante vem até a sua consciência em forma de deja vu. I believe i can see the future, cause I repeat the same routine”. E ele está certo, você se diz. E aos poucos você se recorda de quando tudo ali era novidade, e de como o novo te fazia querer acordar cada vez mais cedo para abraça-lo. Mas agora o novo se tornou um desejo gritante por novidade. E nem faz tanto tempo assim e...
E antes de poder pensar seus olhos piscam. O céu escureceu, nada de novo. Hora de voltar pra casa. Você ergue o cartão enquanto ri com seus amigos de uma piada feita durante essas horas e horas do dia que passou e ninguém percebeu. Se estiver com sorte, vai ter um lugar pra se sentar no ônibus, mas isso não acontece.
- Hoje eu vou dormir mais cedo, você mente.
Passagens de um dia qualquer.

Hollow III

Sua alma morre
Seu coração implode
E seu corpo mergulha em chamas.

Enquanto os fragmentos se reúnem
Sem a luz de vaga-lumes
Um monstro se cria:

Pele cadavérica
Peito perfurado e vazio pela dialética
E uma máscara que implora

Se tornar um Hollow
É se tornar aquilo
Que te chora

Hollow II

Acordar e ficar deitado
E não sentir o sono voltar
Os pés tremem o recente passado
As mãos se apertam em abraço
E a mente insiste em falar.

Há um vazio repentino
Um buraco no meio do peito
Uma corda no pescoço
E um desejo gritante por afago
Não beijoss

Que diabos direis ao sol, se sair?
Melhor ficar na lama
Deitado na cama
Evitando o sentir.

Que porra direi se encaro
O duplo desse escuro que escarro
Se no fundo do abismo
Há uma luz que me chama?

Ai deus, se tu existe
Reconheço minha hipocrisia triste
Mas pelo menos finge que me ama

Eu preciso de uma ideia confusa
Pra apagar essa outra chama.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Avici II

Deixa assim então:

- Ai eu pensei que deveria ficar calado.
- E o que o disse o do outro lado?
- Continuou olhando para o outro lado da rua.
- Sem mencionar o atentado?
- Sequer falou da pele nua.

Silêncio.

- Se eu erguer meus dedos no escuro vou tocar a sombra.
- Mas o escuro já a é por natureza.
- Então já não tenho certeza.
- Minha pele não me lembra.

Confissão.

- Queria gritar.
- Por quê?
- Pensei em parar.
- Você?
- Não, essa coisa de amar.

Medo.

- Acende a Luz agora, por favor.
- Não posso.
- Estou com muito calor.
- Não posso.
- Então culpe essa coisa de amor.

E então a sombra os devorou.

Fingi na hora rir


Toda vez que penso que acontece e
Todo sempre que desaparecer é
Tudo aquilo que não é dito então
Some embora sem a prece porque -

Lá no fundo do jardim eu
Não penso bem se sim ou assim mas
Vai que se quebranta a minha rima e
Sem querer fale demais e -

Não tem paz, rapaz-az-az-az-ai-aisss

Então finge que fala alguma coisa e
Brinca assim de mentir pra mim
Dorme no meu peito e pinta o muro da minha rua
Chupa minha angústia e ignora nossa pele

Nua rapaz, mas sem paz paz paz ai ai az

Mentir assim até que é bom.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Melancholiaaaaaaaaaaaa


Mi amore queda llorando
E eu o observo sem dizer nada
Los lábios trêmulos
Adocicados com meu imaginário
Não se calam, quando em silêncio
Correm as lágrimas sem que eu diga nada.

Há apenas o vazio no peito
Ouvindo o murmúrio estreito
Llorando esta Melancholia
Ignorando as intrínsecas manias...

Ah, se pelo menos fosse por mim...
Ah, se este azul fosse de outra semântica...
Ah, Melancholia... por que o quebranta?
Por que não a mim, que não canta?
Ah, Melancholia.... por que plantar o que não colhe?
Por que semear quando não se pode...

Devolve minha poesia
Seque aqueles olhos, e tira de mim esta alegria.
Troco tudo para ver aquele sorriso no meio da noite
No rosto de outro dia.

Tudoquesedizéaleivosia.
Então afasta de mim minha idiossincrasia.

Ah, por que sim.... porque não.... por que?
Melancolia, melancolia...
Me beija com tua pele fria.

52ª



Elis, elis, eles...
Eles, eles, Elis...
Se perderam nos Campos Elíseos de sei-lá-quem.

12-13/10/2011


A Noite chorava
O dia gritava
E a gente sorria.

Ahhhhh era dia cinza
Dia de chuva
Dias sem glória.

Era melancolia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Maus príncipios (Ciúmes)


Remexo o lixo e desaguo
Em uma torrente de imundícies
E a sombra passa do outro lado da rua

Como se nada
Como se fosse o nada

E então os cães me mordem
Açoitam, flagelam
Ah, sombra... nem enxerga minha escuridão
Só uma luz artificial e sem vida

Como se do nada
Como se tornando o nada

Há um vermelho escarlate escorrendo pelo chão, em uma linha desfitada que parece não ter fim
É um verso livre de escolhas
Livre de festas
E a Sombra só ri para o do outro lado

Esse sentir é minha fome
Fome de abismo
É um apelo crescente da alma
Ou o bailar sem fé do meu suplicio

Idiossincrasia falha
E retorce minha calma
Eu olho
E o olhar não fala nada

Fala porra nenhuma!

Esses cães trazem vida
Ao arrancar os pedaços da alma
Fétida como a boca
A boca que me cala

Como se nada
Se tornasse Nada

Canta a gaita
Late o cachorro
E eu me tornei ossos...

Ao menos finge que me ama
Ou me destroço.