segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Stupid Femme

Deu vontade de falar nada
Fingir uma rima
Forçar uma caça


Brincar de morte
Correr pelado


Deu vontade de fingir que sou palhaço
Ai comecei a correr
E não parei de fugir


Porque deu vontade ser, 
Estar
E não sentir.


Deu vontade de ir embora
Ora ora ora... deu vontade de ficar.


E agora,
Me arrependo,
Lanço a pergunta
E evaporo no ar.


Começou o choro
E deu vontade de parar.

Diálogos Silenciosos III


É meio complicado quando se para pra pensar. Sempre imagino exatamente o que dizer, e as reações que deveriam acontecer:
A porta do quarto se abre:
- Oi – ele diz.
- Oi.
- Eu vim...
- Eu sei, está em cima da mesa...
- Você tá bem?
- Não muito...
- O que houve?
- Eu quero ser seu...
- Cara, eu...
- Eu sei... mas não é justo.
Ai deita do meu lado.
- Não gosto de te ver sofrendo.
- Eu não sei o que fazer...
- Você merece coisa melhor.
- Não... acho que não mereço nada não.
E quando sai pela porta. E no dia seguinte.
A vida continua.

sábado, 29 de outubro de 2011

Utopicalismo


O caminho é parar de correr.

Não lutar,
Não chorar,
Não gritar.

Esquecer o que é sofrer.

Até porque,
Não te ter ao meu lado,
É ter.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sugerência

Revoluções de agora
Verdades de outro dia.
O mundo corre lá fora


Ninguém dá a mínima pra tua poesia.

Tarantismo


vejo tantos
ruidos
por entre versos comprimidos
que me perco
assim
por entre meu becos
algo inspira a dor
e todo a dormencia
desses formas lucidas de demencia
no fim do meu apocalipse
se tornou rebeldia


eu me esqueci das regras
sinais, tudo regalia


sinais, sinais
ninguê nunca lê os sinais
ninguem quer os sentir
nem eu desejo os tocar


toda meia-noite cambaleia
e tropeça nessas palavras


eu me escondi no esgoto
e me tornei o nada.


----------------------- uma outra forma de se falar do mesmo e.... tal:



Sente ali
Sinais, sinais
Ninguêm lê os sinais
Nem eu os vi


É tudo assim meio -
Inspira a dor -
Não sei.


Arghhhh
Dor!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cauterização


Tantos sonhos negros
Tantas formas no deserto
Soam como apostasia
Cicatrização.

Tombo a mente
Inclino o coração
- Não há o que pensar.

Desonra – do querer.

Arrrrrrrrghhh é!

Tanta coisa vejo
Tantas glórias degenero
Mas será isotopia
Ou podridão?

Fecho o corpo
Abro a respiração

Calúnia!
- Há de ver!

Iiiiiiiierrrghhhh.

Poema finito.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

À la Pethit

Esperando o dia em que você irá
Já que logo não terei nada
Interessante a te contar

Difícil... quem saberá?
Toda segunda é fria
E não há mais sol pela manhã.

Ficou triste, pensei
Tomou-se forma nosso silêncio
E decidiu parar de gritar

Então me espere, esqueça
Ou nós dois.... amanhã.

Não espere, não minta
Ou logo dirá....
e eu direi.... pra ficar.



Je t'aime


And
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
I wish I could run away
From you
For me

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Diálgos Silenciosos II


Quanto tento recordar os sonhos é mais ou menos assim:
-... mas eu não sei, tenho vergonha.
- Eu queria poder te ajudar, mas... eu também não sei.
- Ás vezes gosto de ter esperanças porque...
- Não, por favor! Isso só vai piorar tudo, eu não quero te ver...
- O quê?
- Não vou conseguir...
- Eu gosto de você.
- Eu também... mas...
- A culpa foi minha....
- Não foi.

Mas a verdade é que por mais que tente, Golias parou de ser claro comigo.

Uma e 10 da manhã

Se transforma
E equivoca
Deixa ser e recoloca

Conta fora
Canta dentro
Deixa estar e o momento

Vertigens na meia-noite.

sábado, 22 de outubro de 2011

VCR

Na verdade, queria mesmo era deitar e curtir o momento. Ainda que fossem dois ou três, a sensação continuaria sendo essa - a de estar sozinho.

Então não faz diferença, certo?

É difícil pensar assim... nem sei o que quero escrever. Queria era parar de querer.

Mas não dá.
É como ficar sem ar...... o foda é que ficam 2 chorando, 2 rindo, 2 sofrendo, e só 3 amando.

Então não faz diferença se eu continuo fingindo que voce vai... que eu irei... sei lá, pode ser.

Caralho... a segunda vez é bem pior mesmo, Cortázar..... bem pior.


I wanna find myself by the sea
In anothers company
By the sea


3 de Julho de 2009 - Bis.

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Mas...
O quê?
Pesado...
Fardo!
Por quê?

Leve...
Preso!
Angustia... não!

Diz a verdade -
Não diz não!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Hora de acordar do Pesadelo e Enxerga-lo como Fatos


Não encontrei nem pau
Nem pedra
Mas chegou enfim o caminho

Um pouco mais de desgosto
Muito menos carinho
Sobre cacos de vidro
Sobre meu linho.

Só o chão
A terra
O derradeiro descaminho


Onde amar não é o básico
Onde sofrer não há de passar
É passarinho

II

Uma semana depois
O idiota chorou
E o outro calou
E o sorriso se desfez

Nem gim nem vinho
Nem morango, amorzinho
Vai calar o seu ar agora

Te ver feliz tá sendo festa
Mas mandei a alegria embora

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Idealizando um Discurso Impronunciável

Criando a cena
Montando o cenário:

Um em cada ponto
Um em cada lado

Chora-se o discurso
Suplica-se um afago

Lamenta ao Moribundo
Diz adeus ao agrado.





Fim de todas as coisas.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Concertina Muda



Concertina mais muda do que nunca.
Não sai uma nota que se preste,
Um som que se enaltece.
Só um monte de porcaria.


É foda, porra!
Fuderam com minha poesia.

Mania masoquista


O amor é uma construção
Então por que não intenta
Projeta-te sobre o meu
Abraça o que na minha essência já é teu
Ao invés de por outro chorar
E nos reinventa?

Se for possível tentar enganar sua mente
Eu aceito meu argumento como demente
Mas pelo menos
Vamos brincar
Por hora
De amar.

- Não.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Passagens do Dia


O celular vai cantar três vezes antes de você acordar e, quando o fizer, vai quebrar o silêncio. Nada de novo vai acontecer. O lençol vai escorregar até os seus pés, para serem resgatados até o alto de sua cabeça, enquanto seus olhos, de novo, fitam o relógio.
Hora de acordar, você se diz. Mas não levanta.  Ao invés, vai permitir que seus pensamentos afundem no sono, e que sua mente deite um pouco mais na dormência.  Nada de novo vai acontecer. E é lutando contra essa vontade louca de ficar ali sem fazer nada, que se levanta. Olha ao redor, e os outros dois estranhos ainda roncam – não se importe, você pensa. Desliza os pés por entre os chinelos e apenas com a luz que invade o pedaço da janela não ocultado pela cortina do quarto, se arrasta cambaleante e morto-vivo até o chuveiro.
- Hoje vou dormir mais cedo, você mente.
E quando piscam os olhos, o ambiente mudou, o tempo passou, e seus sentidos nem perceberam – é o efeito da rotina. Enquanto finge com seus amigos uma piada qualquer do café-da-manhã, ergue o cartão e a primeira passagem se faz: hora de entrar em uma viagem rápida, para um lugar rápido.
- Se estiver com sorte, vou ter um lugar para sentar, você pensa. E isso acontece.
Nos seus fones de ouvido há um silêncio tumultuoso, enquanto a voz de um ser distante vem até a sua consciência em forma de deja vu. I believe i can see the future, cause I repeat the same routine”. E ele está certo, você se diz. E aos poucos você se recorda de quando tudo ali era novidade, e de como o novo te fazia querer acordar cada vez mais cedo para abraça-lo. Mas agora o novo se tornou um desejo gritante por novidade. E nem faz tanto tempo assim e...
E antes de poder pensar seus olhos piscam. O céu escureceu, nada de novo. Hora de voltar pra casa. Você ergue o cartão enquanto ri com seus amigos de uma piada feita durante essas horas e horas do dia que passou e ninguém percebeu. Se estiver com sorte, vai ter um lugar pra se sentar no ônibus, mas isso não acontece.
- Hoje eu vou dormir mais cedo, você mente.
Passagens de um dia qualquer.

Hollow III

Sua alma morre
Seu coração implode
E seu corpo mergulha em chamas.

Enquanto os fragmentos se reúnem
Sem a luz de vaga-lumes
Um monstro se cria:

Pele cadavérica
Peito perfurado e vazio pela dialética
E uma máscara que implora

Se tornar um Hollow
É se tornar aquilo
Que te chora

Hollow II

Acordar e ficar deitado
E não sentir o sono voltar
Os pés tremem o recente passado
As mãos se apertam em abraço
E a mente insiste em falar.

Há um vazio repentino
Um buraco no meio do peito
Uma corda no pescoço
E um desejo gritante por afago
Não beijoss

Que diabos direis ao sol, se sair?
Melhor ficar na lama
Deitado na cama
Evitando o sentir.

Que porra direi se encaro
O duplo desse escuro que escarro
Se no fundo do abismo
Há uma luz que me chama?

Ai deus, se tu existe
Reconheço minha hipocrisia triste
Mas pelo menos finge que me ama

Eu preciso de uma ideia confusa
Pra apagar essa outra chama.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Avici II

Deixa assim então:

- Ai eu pensei que deveria ficar calado.
- E o que o disse o do outro lado?
- Continuou olhando para o outro lado da rua.
- Sem mencionar o atentado?
- Sequer falou da pele nua.

Silêncio.

- Se eu erguer meus dedos no escuro vou tocar a sombra.
- Mas o escuro já a é por natureza.
- Então já não tenho certeza.
- Minha pele não me lembra.

Confissão.

- Queria gritar.
- Por quê?
- Pensei em parar.
- Você?
- Não, essa coisa de amar.

Medo.

- Acende a Luz agora, por favor.
- Não posso.
- Estou com muito calor.
- Não posso.
- Então culpe essa coisa de amor.

E então a sombra os devorou.

Fingi na hora rir


Toda vez que penso que acontece e
Todo sempre que desaparecer é
Tudo aquilo que não é dito então
Some embora sem a prece porque -

Lá no fundo do jardim eu
Não penso bem se sim ou assim mas
Vai que se quebranta a minha rima e
Sem querer fale demais e -

Não tem paz, rapaz-az-az-az-ai-aisss

Então finge que fala alguma coisa e
Brinca assim de mentir pra mim
Dorme no meu peito e pinta o muro da minha rua
Chupa minha angústia e ignora nossa pele

Nua rapaz, mas sem paz paz paz ai ai az

Mentir assim até que é bom.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Melancholiaaaaaaaaaaaa


Mi amore queda llorando
E eu o observo sem dizer nada
Los lábios trêmulos
Adocicados com meu imaginário
Não se calam, quando em silêncio
Correm as lágrimas sem que eu diga nada.

Há apenas o vazio no peito
Ouvindo o murmúrio estreito
Llorando esta Melancholia
Ignorando as intrínsecas manias...

Ah, se pelo menos fosse por mim...
Ah, se este azul fosse de outra semântica...
Ah, Melancholia... por que o quebranta?
Por que não a mim, que não canta?
Ah, Melancholia.... por que plantar o que não colhe?
Por que semear quando não se pode...

Devolve minha poesia
Seque aqueles olhos, e tira de mim esta alegria.
Troco tudo para ver aquele sorriso no meio da noite
No rosto de outro dia.

Tudoquesedizéaleivosia.
Então afasta de mim minha idiossincrasia.

Ah, por que sim.... porque não.... por que?
Melancolia, melancolia...
Me beija com tua pele fria.

52ª



Elis, elis, eles...
Eles, eles, Elis...
Se perderam nos Campos Elíseos de sei-lá-quem.

12-13/10/2011


A Noite chorava
O dia gritava
E a gente sorria.

Ahhhhh era dia cinza
Dia de chuva
Dias sem glória.

Era melancolia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Maus príncipios (Ciúmes)


Remexo o lixo e desaguo
Em uma torrente de imundícies
E a sombra passa do outro lado da rua

Como se nada
Como se fosse o nada

E então os cães me mordem
Açoitam, flagelam
Ah, sombra... nem enxerga minha escuridão
Só uma luz artificial e sem vida

Como se do nada
Como se tornando o nada

Há um vermelho escarlate escorrendo pelo chão, em uma linha desfitada que parece não ter fim
É um verso livre de escolhas
Livre de festas
E a Sombra só ri para o do outro lado

Esse sentir é minha fome
Fome de abismo
É um apelo crescente da alma
Ou o bailar sem fé do meu suplicio

Idiossincrasia falha
E retorce minha calma
Eu olho
E o olhar não fala nada

Fala porra nenhuma!

Esses cães trazem vida
Ao arrancar os pedaços da alma
Fétida como a boca
A boca que me cala

Como se nada
Se tornasse Nada

Canta a gaita
Late o cachorro
E eu me tornei ossos...

Ao menos finge que me ama
Ou me destroço.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Loucura em GH


Quando dei por mim, meu Eu havia criado uma sombra. Ele observava de longe, meu caminhar lento e tumultuado por minhas calçadas. Não parecia sentir fome de vontade, mas questionava com o olhar tudo que enxergava, engolia com os ouvidos tudo que a eles vinha e limitava seu sentir a pesquisar as sensações de uma realidade que parecia falsa.
Não recordo quando começou, talvez tivesse sido sempre assim, mas a ideia de real não me parecia concreta. Minha cabeça emitia dores de duvida quando, ao parar e observar tentava entender como pedaços de carne podiam se comunicar, como as coisas com suas formas inanimadas podiam ser notadas, e por que sentimentos, por si, existiam.
Era como observar coisas obscuras sem apoio na lucidez, que não fazia sentido.
A pele, cor e irmã da terra, não refletia nada. O olhar, castanho e sem vontade, não dizia nada. O reflexo no espelho insistia no habito de fragmentar-se e, uma vez em pedaços, se reorganizava em uma pulsante ambivalência. Não era nem Yin, nem Yang. Era G e H, esquizofrenia. Em sua constante e duvidosa deficiência em diferenciar o concreto do irreal, o sentido na falta do sentido, e todas as outras tentativas de resposta que tentava encontrar, em uma loucura branca. Loucura gigante e caolha, um Golias.
Não me encontrava nas rodas de amigos falando besteiras, mas me perdia no existencialismo vesgo de alguém que jamais conheci. Flertei e me despi de religiões, em troca de um convite para uma caverna de sombras, um mundo de ideias. Me perdi.
Foi assim que nasceu em verdade. Uma parte fragmentada e quebradiça do meu ser, que se rebela e se impõe, mas não busca controle. Levou-nos à psicodelia pela musica, um refugio de fones de ouvido, onde poderíamos dilacerar-nos com notas e acordes subliminares, a invadirem esse mundo – que não existia.
Em sonho nos falávamos, e de olhos abertos nos beijávamos. Ele gozava em minha mente, eu lhe oferecia meu corpo. A escrita foi o refugio lírico de nossa caótica cidade. Caoticidade.
Porque o garoto não sabia o que era real, e por vezes duvidou de seus próprios sonhos. E por ser apenas um garoto, voltou a se encontrar. Passou a viver sua dupla percepção sem acreditar nem duvidar, apenas viver.
Buscando na sua visão de real, uma brecha onde pudesse pular para irrealidade.