terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Loucura em GH


Quando dei por mim, meu Eu havia criado uma sombra. Ele observava de longe, meu caminhar lento e tumultuado por minhas calçadas. Não parecia sentir fome de vontade, mas questionava com o olhar tudo que enxergava, engolia com os ouvidos tudo que a eles vinha e limitava seu sentir a pesquisar as sensações de uma realidade que parecia falsa.
Não recordo quando começou, talvez tivesse sido sempre assim, mas a ideia de real não me parecia concreta. Minha cabeça emitia dores de duvida quando, ao parar e observar tentava entender como pedaços de carne podiam se comunicar, como as coisas com suas formas inanimadas podiam ser notadas, e por que sentimentos, por si, existiam.
Era como observar coisas obscuras sem apoio na lucidez, que não fazia sentido.
A pele, cor e irmã da terra, não refletia nada. O olhar, castanho e sem vontade, não dizia nada. O reflexo no espelho insistia no habito de fragmentar-se e, uma vez em pedaços, se reorganizava em uma pulsante ambivalência. Não era nem Yin, nem Yang. Era G e H, esquizofrenia. Em sua constante e duvidosa deficiência em diferenciar o concreto do irreal, o sentido na falta do sentido, e todas as outras tentativas de resposta que tentava encontrar, em uma loucura branca. Loucura gigante e caolha, um Golias.
Não me encontrava nas rodas de amigos falando besteiras, mas me perdia no existencialismo vesgo de alguém que jamais conheci. Flertei e me despi de religiões, em troca de um convite para uma caverna de sombras, um mundo de ideias. Me perdi.
Foi assim que nasceu em verdade. Uma parte fragmentada e quebradiça do meu ser, que se rebela e se impõe, mas não busca controle. Levou-nos à psicodelia pela musica, um refugio de fones de ouvido, onde poderíamos dilacerar-nos com notas e acordes subliminares, a invadirem esse mundo – que não existia.
Em sonho nos falávamos, e de olhos abertos nos beijávamos. Ele gozava em minha mente, eu lhe oferecia meu corpo. A escrita foi o refugio lírico de nossa caótica cidade. Caoticidade.
Porque o garoto não sabia o que era real, e por vezes duvidou de seus próprios sonhos. E por ser apenas um garoto, voltou a se encontrar. Passou a viver sua dupla percepção sem acreditar nem duvidar, apenas viver.
Buscando na sua visão de real, uma brecha onde pudesse pular para irrealidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário