segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Maus príncipios (Ciúmes)


Remexo o lixo e desaguo
Em uma torrente de imundícies
E a sombra passa do outro lado da rua

Como se nada
Como se fosse o nada

E então os cães me mordem
Açoitam, flagelam
Ah, sombra... nem enxerga minha escuridão
Só uma luz artificial e sem vida

Como se do nada
Como se tornando o nada

Há um vermelho escarlate escorrendo pelo chão, em uma linha desfitada que parece não ter fim
É um verso livre de escolhas
Livre de festas
E a Sombra só ri para o do outro lado

Esse sentir é minha fome
Fome de abismo
É um apelo crescente da alma
Ou o bailar sem fé do meu suplicio

Idiossincrasia falha
E retorce minha calma
Eu olho
E o olhar não fala nada

Fala porra nenhuma!

Esses cães trazem vida
Ao arrancar os pedaços da alma
Fétida como a boca
A boca que me cala

Como se nada
Se tornasse Nada

Canta a gaita
Late o cachorro
E eu me tornei ossos...

Ao menos finge que me ama
Ou me destroço.

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