quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Câmbio

Meu imaginário coletivo:


Várias formas


- Os Gritos de dois vencidos.


Comediantes negros de uma paródia:


Meu imaginar instintivo


Quase uma rapsódia -
Depois de uma elegia perdida
Ou uma Prosopopeia de agora.


(pegandoasombranosustoemurmurandoemteuouvido):


Te imaginar no meu coletivo
Com Golias
É o fechar da aurora...
É finginr que não sinto
É uma poesia sem forma.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Despreza mais

Então é isso
Eu fico aqui com meus vermes
E você fica com medo de longe


- Não dá pra pegar nessa mão
Não dá pra beijar essa boca
Não dá pra segurar esse corpo
Não dá pra tirar tua roupa.


E vou ficar aqui limpando meu sangue
Que escorre sei motivo ou saber.


Vou ficar aqui morrendo de fome
Dessa angústia sonora
Em não ter.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Idiota


pensando 
pensando
pensando
tentando tentando tentando
mentindo 
mentindo
mentindo
sonhando morrendo acordado
fim.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Alguns recados

- Tristeza mandou lembranças
- Melancolia disse que tá voltando logo
- Depressão está pegando o ônibus
- E o choro ainda tem esperanças.


- A alegria tá pensando em ir embora
- E Carícias disse que não adianta.

Narcisismo

E tente esquecer as demandas
O arquétipo simples
A beleza polida

esqueça essa atração reprimida

E tente imaginar o contrário
Que seu corpo é um corpo
E seu rosto um atalho

esqueça essa atração inibida

E tente fingir as verdades
Ouça os "nada a ver isso ai"
E faz-de-conta-que-vão-te-olhar-de-verdade

esqueça o verso da música

E contente-se com sua mão
Obedeça ao seu desespero
E, no fim, seu rosto vai virar mais um poça de lixo ou um bueiro.

Pesadelo

E esse vislumbrar
do seu eu-sonhando:

De lado
As mãos próximas,
braços colados,
e a calmaria no rosto.

Pálpebras fechadas,
mas olhar atento.
Me faz rir esse sorriso leve
Que só sente-se como o vento.

E as pernas que as vezes se movem
E a respiração que as vezes se enaltece.

Esse vislumbrar
Do teu sono
Essa cara de anjo, que no fundo é demônio
É o sagrado momento.

Esse vislumbrar do sono
É o vislumbrar fragmentado
do lamento.

E de sonho em sonho
A gente acorda assustado.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Não, eu não deixo.

Deixa eu continuar brincando
Continuar sonhando
Agindo de forma pouca
Fazendo de conta que adianta 
E que não se estraga a poupa.


Deixa eu continuar dizendo que abandono
Quando em sonho
Corro pros teus braços
E apago o pranto


Deixa eu tocar teus cabelos
Deslizar por entre eles
Diminuir os teus medos


Deixa eu tentar o contrário
Correr pelo quarto
Te tirar do nosso armário
E sair por ai.


Deixa eu gritar o sinto
Perdoar o cínico
Enquanto Golias chora
Do lado de fora.


Deixa deixa deixa...
Deixa amar enquanto não vou embora.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ensaio sobre a Feiura:


Se eu fosse o cara da esquina
Que te olha de lado
Aponta para o quarto
E te faz gozar sem motivo

Ou se fosse o desespero alcóolico
Que leva boca de uma sombra
Ao teu grito bucólico

Se pelo menos eu fosse o estranho
O desprezo não seria profano
E poderia seguir em paz.

Putz,
Se pelo menos tivesse algum agrado
Algo mais útil que um amor desesperado...

Quem sabe um olhar brilhante,
Um falar radiante,
Um sorriso bonito.

Talvez não ensaiasse sobre coisas como o tempo.


Matemática [Oh my soul...it's so hard.]

Como foi pensado
Você deve pensar assim

Enquanto uns sabem amar
Tendem a não sorrir

Enquanto outros tendem a amar
Não sabem sorrir

Tem uns que tem tudo e outros que não

Tem um ou outro que sabe amar e sorrir
Porque se amam entre si

Tem uns assim
Que amam e são amados
Mas não por quem amam

Tem uns que ficam no segundo amados da estrofe acima

Tem uns que
Tem uns que

Sei lá.

Diálogos Silenciosos IV

Ao sair de lá, foi ao seu quarto mas ficou parado em frente a porta, apoiando a cabeça contra a madeira fria e socando a parede morna. Tinha dor-de-cabeça-imaginária, e não sabia de verdade o que havia acontecido de verdade. Só enxergava vultos. Um. Depois mais. Depois dois. Depois só o seu próprio se arrastando pelos corredores, indo lá embaixo, subindo e descendo, e depois caindo no chão atrás da escada.
E agora a porta, a parede, a dor e o quarto:
- E não vai ter jeito mesmo.
Dava para ouvir o abismo dos outros contos tomando forma sólida, se contorcer e morder o próprio rabo. Serpente. Oroboro. Pecado cíclico. Infinito.
Ai tocou o celular:
- Oi.
- Cadê você?
- Tô aqui ainda...
- Queria apagar...
- Volta aqui.
- Não.
- Porque eu insisto e persisto em me iludir.
- Não diz isso.
- É a verdade.
- Não foi sua culpa.
- Sempre é minha culpa, sei disso.
- Não.
- Sim e

e quando o abismo grita quem cai sozinho na cama, chorando, lamentando, imaginando, consolando o rapaz ali ao lado, imaginando um dialogo silencioso e programado.
- ... é você.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

É porque eu te amo.

- oi
- oi
- beleza?
- beleza
- legal

- então
- quê?
- vai tomar no teu cu
- hã?
- filhodaputa.

Pra dizer que não falei


- Oi, tudo bem? É sou eu, sim, isso, eu sei que disse que ligaria ontem mas não tive tempo, quero dizer, na verdade eu tive mais, não, não é que te ignorei haha, eu jamais faria isso, eu só queria dizer que, o que, você precisa sair? não, mas não tem problema, eu quero ser breve também, a bateria vai acabar em uns cinco minutos, é que, sim, eu sei, não, também não penso assim, olha só escuta por um instante, é que já faz um tempão que eu venho tentado te dizer, sim, haha, eu lembro daquele dia que fiquei bêbado e fiz, é, eu sei, sei, não tem porque rir disso, foi triste, é você tem razão, você sempre tem a razão, é quase como a minha consciência e, não! por favor eu não quis dizer isso, não, não quis te ofender foi só um comentário, isso ate me deixa feliz na verdade, parece que você me lê haha não sei dizer, gosto disso e tudo mais, como naquela vez em que eu dormi no seu quarto e ai você me disse aquelas coisas e ficamos rindo haha, verdade, hã? agora? eu só to tomando um café e fumando, é eu sei, você acha que o cigarro vai me matar, haha, não, eu tenho fumado pouco, hã? a dor de cabeça? sei la, as vezes ela volta mas, não, não tem porque, já fui ao médico, ele disse que é psicológico e mandou eu parar de fumar e beber mas não da haha, sim, eu sei, você concorda com ele e tudo mais, hã? sim, eu escrevi um conto outro dia haha, sim, sobre a festa e tudo mais, é, aquela que você não pode ir, sim sim, verdade, foi divertida, haha, claro que não, com você la teria sido melhor, hã? como assim por que? haha besta, não fala isso que eu dou risada haha, viu, mas deixa eu falar que, ah, tudo bem, eu espero dois segundos e, o quê, não precisa, ah, melhor, assim posso falar logo que, oh, sério? o filme eu vi também mas não pensei que fosse acabar daquele jeito haha, não, gostei, realmente, e voc- ah, você também gostou, isso é bom, acho, não sei, olha, a bateria acabando e eu nem disse, haha, viu? você me controla mesmo sem perceber haha sim verdade, ahhhh, pois é, bizarro, né? como se pudesse haver algo entre eu e você haha, nada, oras, é obvio, como assim obvio? porque é, oras, beleza fugiu de mim e haha, que nada, conheço mil caras melhores pra você e tals, hã? não, na verdade não, eu só queriaa te dizer que, isso, isso mesmo, o convite, eu encontrei embaixo da porta, hã? sério? você não me achou aqui então, entendi, é, eu devia mesmo ter saído, haha, que idiota, mas me deixa falar, hã? que roupa você usa? não sei, humm, é, a azul, você fica bem de azul e etc, não, eu não haha gosto mesmo, mas olha, me diz o que você acha dessa coisa de eu gostar de voc- hã? haha, serio mesmo? que loucura tudo isso, haha, hein? wow, a bateria, olha, vai acabar, antes eu só queria dizer, haha, pois é, eu te amo, mas haha, sim, eu sei, relaxa, não é isso, hã? ahah nada disso, haha, olha, é que já faz um mês desde aquela noite e, sério? ele fez? que doido, mas me ouve, aquela noite foi a melhor em vinte anos, haha eu queria agrade- hã? não me ouve? acho que é culpa da bateria e, olha,  eu queria te abraçar de novo como aquela noite e, oi, oi, tá me ouvindo? não, é que dói muito haha, hein, hã, ok, mas antes de desligar pelo menos deixa eu ouvir você dizer que- isso mesmo, a azul marinho, fica bem e tals, haha, olha sério, eu preciso falar, hã? não ouve? eu sei já falamos, mas você cresceu e as raízes ficaram lá no fundo, ta difícil tirar haha, oi? não, o que eu queria dizer mesmo é que

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Melancolia


Quando acordou naquele dia, não sabia ao certo se os pedaços de lembranças em sua mente eram realmente memória ou apenas a reminiscência tortuosa de um conjunto de sonhos. Não havia dor de cabeça, sinal de que mais uma vez alcançara a glória de beber muito e não sentir nada além da amnésia que de vez em quando aparecia. Olhou os copos espalhados pelo chão, o conjunto de garrafas empilhadas em um canto ainda escuro do quarto e tentou se lembrar de algo mais:
- Ele estava aqui – concluiu de imediato.
A ideia de dar uma festa no seu quarto havia sido apenas uma desculpa esfarrapada para não ficar sozinho. Beber com os amigos vinha sendo, nas últimas semanas uma fuga. Mas de fato, não é que sentisse a necessidade de estar perto de outras pessoas, ele as tinha o tempo todo. O que sufocava era o buraco no seu peito. Vinha crescendo ali um abismo que não se podia explicar. Uma angústia mentirosa que o fazia cada vez mais e mais querer ficar perto de...
E o telefone tocou interrompendo seus pensamentos. Em meio a roupas sujas e copos descartáveis, encontrou o aparelho e o atendeu:
- Alô – disse uma voz masculina do outro lado.
- Oi – respondeu ele, reconhecendo o outro.
- Só queria saber se você... sei lá... está bem?
- É, eu... eu...
Ele não soube responder. Como em um passe de mágica, aquele milésimo de segundo entre pergunta e resposta se converteu em uma eternidade jamais sentida. Ele não sabia o que dizer. Naquele momento não havia “Eu”, somente um punhado de frases incompletas cheias de reticências. O abismo interno que o sufocava, sem avisar, começou a o corroer de forma mais rápido. Precisava dizer algo, queria dizer algo, mas não sabia o quê.
- Eu não sei como estou – disse por fim.
- Olha, sobre ontem...
- Tudo bem, não me lembro de muito.
- Você me contou tudo aquilo, mas eu não sei se posso...
- Deixa pra lá.
- Você vai ficar bem? – preocupou-se o amigo.
- Provavelmente não por um tempo – conclui ele, desligando o telefone.
Enquanto as lágrimas dançavam por seu rosto, e os olhos ficavam vermelhos como sangue, o abismo terminava de devorar os últimos pequenos espaços no peito.  Ele caiu, em meio ao lixo de seu próprio quarto. Um dia se lembraria plenamente da noite anterior, e de todas aquelas coisas piegas e necessárias que contou a quem amava. E choraria por um para sempre indeterminado.
Quando se levantou horas depois e foi se banhar, o telefone tocou de novo. Trazendo mais combustível à sua melancolia.