segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Diálogos Silenciosos IV

Ao sair de lá, foi ao seu quarto mas ficou parado em frente a porta, apoiando a cabeça contra a madeira fria e socando a parede morna. Tinha dor-de-cabeça-imaginária, e não sabia de verdade o que havia acontecido de verdade. Só enxergava vultos. Um. Depois mais. Depois dois. Depois só o seu próprio se arrastando pelos corredores, indo lá embaixo, subindo e descendo, e depois caindo no chão atrás da escada.
E agora a porta, a parede, a dor e o quarto:
- E não vai ter jeito mesmo.
Dava para ouvir o abismo dos outros contos tomando forma sólida, se contorcer e morder o próprio rabo. Serpente. Oroboro. Pecado cíclico. Infinito.
Ai tocou o celular:
- Oi.
- Cadê você?
- Tô aqui ainda...
- Queria apagar...
- Volta aqui.
- Não.
- Porque eu insisto e persisto em me iludir.
- Não diz isso.
- É a verdade.
- Não foi sua culpa.
- Sempre é minha culpa, sei disso.
- Não.
- Sim e

e quando o abismo grita quem cai sozinho na cama, chorando, lamentando, imaginando, consolando o rapaz ali ao lado, imaginando um dialogo silencioso e programado.
- ... é você.

Um comentário:

  1. Comentário nada construtivo - Muito foda, velho!!! Do caralho... que orgulho de ser seu amigo...

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