quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dez coisas que eu ( ) em você.

EU ( ) Seu cabelo bagunçado
Seu sorriso sem graça e calado
Suas pernas estranhas
E sua voz murcha.

Eu ( ) seu jeito despreocupado
Sua cara de filhodaputa maltratado
Seu sarcasmo infantil
E seu desinteresse.

Mas acima de tudo
Eu ( ) tua falta de ( ) próprio
E o fato de que nós [ ] jamais { }.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Autoria

Eu queimei tudo:

O cheiro
O tato
O paladar
E a sensação do teu sexo

Joguei tudo fora:

A foto rasgada
A cama vadia
A sombra no espelho
E a imaginação pelo teu sexo

Eu chorei tudo que havia dentro:

Este sentimento
Esta dor e o lamento
Este buraco no peito
Formado de um vazio infinito

E agora não me resta mais nada:
Amor só é útil quando se quer escrever um livro.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ditando as Regras


- Senta.
- Onde?
- Senta.
- Onde?
- Senta.
- Onde, porra?

- Na casa que te dei, na comida que paguei e no ônibus que te leva. Senta.

Senta ou te tiro tudo e te mato e é isso.

sábado, 17 de dezembro de 2011


Essa coisa de poesia é uma grande filhadaputagem.
Uma instância sádica e satírica.
Filha-da-puta,
Como aquela figura por quem se apaixona e ri da sua cara
Da tua desgraça.

E eu sou algum tipo de masoquista.
Só pode.

vcrxx


No ritmo da música

Tun - dum - tun - dum - tun - dum

E ai o som
Disperça
A louca peça

De norte
De sul
Sem leste
No sudeste

- assiste um video comigo
- ouve uma música comigo
- rola na cama comigo
- deita no peito

Beija o meu delirio.

tun - dum - tun - dum - tun

E você

Você não sabe

Você faz

tun dum tun dum tun dum tun dum

- ASSISTE um video comigo
- FALA de amor comigo
- Me odeia só por hoje?

Só e-

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzap

- Cara, tu leu isso?
- O quê o quê? Indícios?
- Que nada!
- Quê então?

Essa porra não fez o menor sentido, ca-


pazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Goodbye, I-i-i...


When I leave next day
Like that
Silent - with the rain
Please Goliath, don't you cry

Kill us both in one shot
And let this guilty alone to die

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Adeus você, eu vo-

Quando eu for embora
Assim
De canto
Por favor, Golias, não chora.

Nos mata de uma vez
E leva a culpa lá pra fora.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

desabafar é preciso, amar também é preciso


é tão ridiculo
como eu sinto sua falta
mesmo quando voce está por perto
assim, do meu lado
rindo sem olhar pra mim
bem legal... sei lá


é meio triste
saber que não te atraio
assim, saber que o que sinto é desnecessário
que não faz diferença alguma
que não tem força nenhuma


é tão desesperador, saca...
tentar e tentar e não conseguir nada
e ter que fingir o tempo todo um bem-estar
só pra que não perceba(m) meu mal-estar
e te constranger


é tão confuso e estranho
como eu fico te chamando em meus sonhos
e mesmo dentro deles
não há nada de concreto
além o meu auto-engano


eu queria tanto te ver feliz
assim
de forma plena
feliz


ate penso em subverter meu orgulho
ir de encontro ao norte
propor uma paz
e incentivar esse absurdo


queria tanto que entendesse esse dilema
esse desabafo completo
em forma de falho-poema


é que tô tão desesperado em imaginar
que se eu fosse o norte
tudo seria diferente


tõ cansado de desejar
ser o torpe norte
só para poder te beijar


tô meio enojado de não aceitar eu
e querer me transmutar


não sei mais o que faço...


o abismo no peito cresce todo dia
desejando teu corpo
cobiçando teus olhos
suplicando teu colo
amando desesperadamente a vontade de Estar Em Tua Companhia...


Amo tanto amar isso que amo
Mesmo sabendo que não foi esse plano


Mas é sempre assim
e meus traumas
e meus medos
e essas vontades
e esses desejos
esse grito silencioso
não vai te afetar em nada
- é sempre assim -


e eu continuo me iludindo sem querer
e eu continuo te amando
AMANDO verdadeiramente
De forma genuína
me submetendo ao desespero
abaixando a cabeça
forçando o riso
pra que ninguem perceba


Só pra poder fingir a mim mesmo que um dia você vai me amar
e dizer
que everything's not lost...




II


fica comigo


III


Diz que me ama


IV


Não suporto mais esse fantasma do último fim de semana


v


Por favor


VI


Me abraça


VII
Me leva pra cama


VIII
Deixa nós dois juntos sermos felizes


XIX
Diz pra sua mente que me ama


X
Me mata de uma vez.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

I Fell in Love with a Dead boy I



- Ele está morto – disse Henri do outro lado da linha.
- Mas... como assim? Você mesmo disse ontem que...
- Eu sei, eu sei... Os médicos também não entenderam. Ele simplesmente não acordou mais.

Tu tu tu tu tu... Desliguei o telefone e um abismo temporal se fez no meu quarto.
Hoje era seis de dezembro. Meia-noite. Cheiro de dia cinza se esgueirava pelas ruas do meu imaginário. Deitados sobre a minha cama jogavam-se textos escritos por um defunto, em meio a fotografias rasgadas, onde me esvaziava nos braços de estranhos recém-descobertos. Silêncio. Uma mão fria e delicada me tirou para dançar, enquanto o telefone era puxado das minhas pela gravidade e corria em câmera lenta rumo ao chão, revelando a intimidade entre espaço e objeto, rindo de mim com ar de romantismo satirizado: o branco do plástico com o tom cinza do fundo que o esperava para juntos estremecer, para juntos fazerem o aparelho quebrar, emitindo um grito refinado de algo que se despedaça, e se reflete em outra, a rompendo, ou o rompendo, ou me rompendo, e em questão de segundos tira da gente toda a magia do

silêncio
(                   )

a mão que me tirava pra dançar.
Cinquenta e quatro exatos dias antes – um teletransporte:
- É que eu te amo...
Houve silêncio e constrangimento.
- Não consigo mais respirar sem pensar em você...
Houve constrangimento e silêncio.
- Eu te amo de verdade...

E eu fiquei com o silêncio. E foi isso que nos acompanhou nos dias e semanas seguintes. A cada nova menção da ideia eu te amo, eu pensava menos ainda em amá-lo – riamos disso, de fato, porque dar um toque lúdico à sua desgraça facilitaria as coisas para mim e evitaria o fim de uma amizade – amada amizade. Então nos corrompemos na ideia frustrada de que ele ficaria bem – como nas noites em que eu chorava em seus ombros as dores de meu verdadeiro amor não correspondido, ou quando ele chorava encolhido dores por me encontrar em braços e bocas e corpos alheios, conhecidos ou não, tanto faz, dava na mesma.
Não sei o porquê, mas só ele naquele mundo todo não atraia minha atenção. Carma.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

hoje, sábado


E se assim se manifesta
De quem importa o dilema, boba?

Os vultos
Resquício de um sábado passado
Se são só aquelas duas figuras
Fingindo nada, enamorado...
De que importa o poema, tola?

Se é no fechar
Os olhos semi-abertos
Para ficar no escuro
Como no escuro daquele espaço com fumaça e luz e gritos e nada
Só para se sentir em pedaços
Involuntário
De que importa o sonho, idiota?

Nem os teus versos
Alma
Refletem mais nada
Só erva daninha,

Nem os gestos,
Alma
Ecoam mais nada
Só desespero em ventania.

Continua chorando no silêncio do quarto
Como um feto
Sem abraço
Nem nada.

Contempla todo hora
Todo fracasso
De um sábado frustrado

Alma-coisa,
Alma-tola,
Alma-minha...

Que será de nós agora
Se não é mais nada no dia?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Paródia

E se quiser?
- não come -
E se falar?
-não corre -
E se fugir?
- só fume -
Se escorregar?
- encolhe -

Quando eu morrer
- vai embora!
Vou te chamar
- lá fora...
Se quiser
- na fonte -
Vamos fingir
- se esconde.

Porque ai
Lá no fundo
Eu vou tingir
De escuro
O teu cantar
Dantesco

- Mas vou te falar.
- Que foi?

Me esqueço.