terça-feira, 25 de dezembro de 2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Olha só, Moreno

um dia
você vai rir
e eu chorar
e depois ao contrário
recomeçar

um dia
entender
que a minha culpa
não foi eu ou você

a culpa foi
amar essa loucura
que pensei ter nascido
sem querer

sábado, 8 de dezembro de 2012

lembra
aquela época
em que

Felinus

as pessoas
que tem medo
de gatinhos molhados
e gatinhos sequinhos
são pessoas
por isso
são mais fraquinhas
que gatinhos molhados
e gatinhos sequinhos

eu mesmo não sei mais.

Melodrama


eu escrevo
porque
não gosto de você
eu escrevo
porque
não gosto de escrever
e é por isso
que eu
escrevo
sem porquê
yellow
yellow
yellow
amarelo

Oi, Adriano

um dia
eu te dei
aquele azul
em forma de pirâmide
e fui embora
sem saber
o que isso me dizia

outro dia
eu sonhei
que me jogava fora
e o oceano
ia

Edge

horizonte
é igual a
linha
que é igual
a limite
que é igual
a nunca chega
que é igual a
nunca sei onde parar

Vai navegando


pássaros
girafas
tufões e cogumelos
leõs no jardim
no fundo de um castelo amarelo
fumaça esmeralda
nuvens sem cinza
e meus pés descalços pela manhã

andar
andar
andar
existem as cores e existe o azul
do sul, sudeste ao centro-oeste
e depois nú

e nunca mais
voar
sem bater asas
com pernas no chão

tribunal de outras coisas também pequenas


eduardo
éduardo
é arduo
é
du ar
do
é du ar, dô
é duro a dor
é du ar a dor
é do ar? dou.
é du, ar ou dor
é do ar
dou
é.. durador.
é ar
e dor
eduardo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sem Afro

hoje é quinta-feira
dia chapado
todos meus amigos
todos meus amigos
todos meus amigos
todos meus amigos
todos meus amigos
querem beber.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cena

Uma

asa, larga
gelo,
cisne no inverno

branco fantasma,
vale, verde
um riacho na erva
adormecido

sol, luz,
lírio
solstício cinza
véu azul

Um

grito roxo
molhado de algas
zoom

cheiro vermelho
alguma coisa

e os pássaros se refugiam
no véu cinza
em azul

domingo, 30 de setembro de 2012

Em meu banheiro sem Espelho

tem uma barata no meu banheiro
grande, vermelha e apetitosa
ela dança quando entro
e se esconde atrás da porta
com suas patinhas ligeiras
me olha de baixo
como se fosse de cima
me devora,
em movimento contrário,
e apavora minha sina.

ela fica quieta no escuro
e não gosta quando acendo a Luz
como não tem espelho ali dentro
nem mesmo ela me seduz

Hei!

dunguinha me disse
que a moça da esquina
a tia da piscina
e o tio gostosão
e meu amor
são tudo umas puta

Asas molhadas

às vezes
só queria
que parece
um pouquinho
de chover

@ Beleza sempre vence

por isso
eu e meu passarinho
ficaremos pra sempre
desenhando paixões
e sonhando amores
sozinhos
um do ladinho do outro
aqui
embaixo da chuvinha
dentro do meu ninho

Mais Um

às vezes
quando chego no meu quarto
depois de
sei lá
tanto faz
eu me olho em um espelho imaginário
imagino um reflexo feliz
e finjo
de novo
pra mim mesmo
que vou aguentar um pouco mais

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

G. falou e

disse
que
me tornei uma puta

sem dono
sem nome
sem voz
boba
e nula

olhando pra um muro ALTO
com sorriso
                                  baixo
sozinha
de pele pelada despenada
na escuridão dos olhos ládentro
que chovem
sobre mim
seca chuva

possibly maybe

me chuta
me cospe
desdenha
ri
e faz cena de desprezo
e morte

eu prefiro
essa dor
que essa vespertina
vertigem
dizendo
que não sim não
à sorte

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

eu também tenho
me perguntado
o porquê
de fazer assim
comigo

conosco

Posso

nem eu
nem ninguém

ninguém;eu.

nem ninguém
nem eu

eu:ninguém.

Não me toque mais sem querer

pedaço de vidro quebrado;
cacos do mesmo espelho.

lua matutina
de sorriso largo;
meu bocejo.

o vento que grita pela voz,
é besteira.

não tocará
pele nenhuma,
só levanta sujeira.

fiquei cego
e se fez surdo

fiquei medo
acariciou meu tato

e de sentido
a sentido
eu não vejo sentido
no teu medo;
enojado.

não é a parede,
nem o arame,
nem meu caminhar meio desligado.

nem o mesmo
que equivale
ao outro
o seu lado

é só o que não sei dizer
enquanto a loucura
suas mãos tecem daí

e mudez
a cegueira
a loucura
e tua surdez
são nossas.

sábado, 15 de setembro de 2012

O Azul

ontem
no escuro
éramos cavernas
olhando pra fora
com morcegos no estômago

e eles começaram a comer toda nossa carne

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

a luz piscando
golias apagando

Dentro da Sonia

vou dormir
pra quando
acordar
te encontrar
sonhando

escuro

quando
o dia amanheceu
e percebi
que nunca
te inspirei
arte alguma

biophilia

sempre
será
eu ouvindo você

e isso já é história de amor completa,
sem começo
nem fim.

um presente do tempo para o futuro e o passado

amiga

ela disse
que
tenho ego demais
e sentimento forte demais
bons
para afastar
todo mundo

eu sorri

cocoon

que pesadelo
dormir
e sentir-se
feliz

uma imagem

duas fotos
se
beijando

Outro espelho


de vez em quando
eu
me lembro dessa foto
jogada entre
livros e pedaços
do teu criado, criado mudo
e me vem certeza
de que a voz do povo
é a voz
do diabo

Pitanga

vida diurna na madrugada
a poesia
não para
de gritar

E nunca mais falaram sobre aquilo.
E nunca mais falaram sobre aquilo.
tu te tornas eternamente responsável pelo henrique que cativas...



mentira,
eu sei,
mas podia ser...

suprema felicidade

e acostumou-se
com  a certeza
de que
nunca
seria
bom o suficiente
para alguém

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

domingo, 9 de setembro de 2012

NÓS!

EU!
Andei pelos becos de uma rua sem saída
EU!
Cavei o asfalto de uma noite esquecida

EU!
EU!
EU!
EU te amei!
EU te odiei!
eu ODIEI te amar!
Eu AMEI nos odiar!

DEI EU
DEI EUS
DÊ EUS!

E agora EU sou eu
Sozinho Aqui
TE PENSANDO
ai do outro LADO

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Renegado

por cima
pela frente
por trás
e por baixo

vejo vocês em meus olhos
nas minhas mãos
com dedos nas costas
e em meus passos

me renegando
me renegando
nos renegando
por todos os lados

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

De novo, Fracassado

com a cabeça baixa
e pele nua; escorre

de olhos abertos,
o chão; afeição

os pés no alto e o alto lá em cima
de vez em quando pensando e teclando sem pensar
pensamentos sobre pensamentos
e verdades sobre mentiras

com a cabeça abaixa,
e a pele na rua; escorre

de olhos fechados
e o chão correndo, afeição

outra história que não se conta
outro fim que o povo deu
outra mentira que a verdade ocultou
outra merda qualquer
que faz o self
cutucar
amedrontar
chupar
cuspir
arrancar
matar
fuder
estuprar
ressuscitar
matar
ressuscitar
mata! mata! mata logo, porra, mata!

mas enrola enrola enrola
e então o "sente-se fracassado",
daqui a pouco
quando a sombra do lado
não for a minha sombra aqui embaixo

e ai anda de cabeça baixa,
olhando o chão,
com o nariz escorrendo,
o coração fedendo,
as mãos tremendo,
o pensamentos de si se esquecendo
e esquecendo de pensar

porque no fim
toda história nova
é contada por fofocas
e lorotas
para
nos frustrar,
Golias.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Espelhos

você passa ao lado
do amor
e ele te rasga o peito

eu passo ao teu lado
e você
me quebra as pernas
estripa as entranhas
cega meus olhos
e arranca meus braços

domingo, 2 de setembro de 2012

É tudo uma grande merda

cães negros
e branco com manchas negras
e alguém de camisa vermelha
andando entre árvores
e pessoas indo a motéis
e carros
e cães negros
e brancos com manchas negras
andando entre árvores
com alguém de camisa vermelha
e atravessam a avenida
e pessoas indo pra casa
e a noite
e alguém com camisa vermelha
e cães negros
e um branco com manchas negras
entre árvores
com a lua distante
na noite escura
negra
fugindo desse mundo
de pessoas com camisa vermelha
e cães negros
e brancos com manchas
negras
atravessando a rua
e carros
e motos
e prédios
e o escuro
com nós dois
andando por entre as árvores

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

e a minha vai continuar ali sozinha
a sua também
vai continuar longe da minha
mas vou treinar ela aqui
para parar de chamar a sua
ficar em silêncio
e continuar parada
esfriando como a tua
e

Disfarçar pode ser uma boa

os mundos dizem sim
você diz não
e a alma chora
porque é coisa de alma
sem essa de coração dando as mãos
e vai ver é melhor me calar
ficar meio vesgo
parar de não parar
porque golias anda hipócrita
eu ando meio insólita
e promessa
não sei qual
é promessa

canta, canta
preso na gaiola
meu pássaro Azul...

terça-feira, 28 de agosto de 2012


Fazia tempo, muito tempo, tempo de mais, uma eternidade, bem grande, e bem distante, parecida com o ontem, ou amanhã, que Golias não me deixava o retratar.

Hoje ele deixou.

Depois de o ver parado, sozinho, em meio a multidão, olhando para mim, caolho e sem máscara - eu não o via sem máscaras há tanto tempo quanto. Aí ele sorriu, e eu passei o dia angustiado com medo dele ir embora - eu pensei que ele fosse embora depois de ontem, Adriano, te comentei, mas ai não sei.

Hoje ele voltou.

Até perguntou de NiNi. Como a primeira vez que vi o nome de NiNi foi em uma parede branca, com tinta verde, falando de primavera, ele achou que NiNi era um limão. Ai veio querer saber. Ai eu tentei explicar. E ele me falou qualquer coisa sobre existência. Disse que o "estar" é realmente melhor que o ter e ser, como eu falei ontem, Adriano, e já comentei contigo, William, mas disse que eu nem ele sabia porra nenhuma sobre isso.

Hoje ele chorou.

Aí o Adriano, Alejando, me falou algo sobre Ana, que o fez acordar e lembrar de NiNi. Ele me disse que tem gente por aí que acha rídiculo eu ficar falando dele, porque eu faço ele parecer um personagem, e é isso que ele quer ser. Mesmo não sendo. Mas ainda acha que NiNi é um Limão. Não limão. Ai me disse que Limão é doce e azedo, e que não quer conhecer NiNi, não agora, só depois. Depois de um amanhã. Ai eu perguntei por que. Ai ele me disse que se ele for Limão também, eu posso chupar limão e ai chupar a existência dele quando ficar sozinho, se ele for embora um dia. Porque se ele é Limão, ele é limão.

Hoje ele explicou.

Limão é azedo e doce. Saudade é azeda e doce. Ai eu não entendi, mas é isso.

Golias tá feliz hoje e manda abraços a quem tem me ajudado a ficar feliz também.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

deus

dê eu
dê eus
de eus
deus
eu
eus de
dEus

egoísta e preguiçoso

Mais um Sem Nome no mundo

eu sei que as coisas são sinceras desse lado
e sei que elas são verdades do seu jeito
não dá pra mentirizar
essas coisas
desvendadas
que arrancam pedaços no peito

mas é que eu sei que desse lado também é certo
são certezas iguais as tuas, mas de outra forma
que mentiriza o verbo perfeito
porque ele não é verbo feito
é essas coisas
desvendadas
que arrancam pedaços no teu peito

eu sei que agora não sei mais nada
sei também que haviam espelhos nos olhos
pregados por fora

mas é sincero o medo
que-


que porra nenhuma,
eu vou ali fumar um cigarro

coexistência: vazia

desilusão

é quando o céu fica quieto
a árvore fica quieta
o amigo do seu lado fica quieto
e o todo o universo fica quieto

pra te ver chorar

domingo, 26 de agosto de 2012

coexistência: malditos artistas


Meus artistas,
empunhem suas canetas,
afiem seus pincéis
refinem seus dedos, vozes e agudos.

Dizem que tem guerra no horizonte,
e o horizonte é absurdo.
Não há erros no meu blog.
Seus olhos é que precisam de menos ortografia.
mais um dia cinza
pro
pássaro
na minha
cabeça
ficar um pouco mais
azul

Amor o caralho

você grita
você chora
chamam a polícia
e tu xinga deus
eu
e a aurora

e depois vem de cana
me enche a porra do saco
fica nu na cama
e eu gosto de carne crua

ai vem com esse papo de merda
de que errou
e todo mundo erra
e eu faço o favor
de desenhar
mais um erro
pra você
e eu fico aqui
com a música
ouvindo passos
na minha cabeça

sábado, 25 de agosto de 2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

WHO

i hate u
n i hate myself
n the morning
n the nite
n this day

i love you
n i luv myself
n the bugs
and all the goo
n the hate
between
me n you

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Conversa entre dois covardes

eu
e você

sabem muito
muito
muito bem o que falar

rolam na cama
sem
nudez
com pouco pijama

e observa o escuro

um xinga
o outro também
só para
maximizar
o a borboleta morta
no meio do caminho

só para
impedir
a metamorfose
e ai
ri
riem
rio só

e o que é de verdade
fica como verdade
porque
negar
não dá

dois covardes
só sabem
calar os olhos
abrir a boca
e
o silêncio
chamar

domingo, 19 de agosto de 2012

E toda aquela água coberta de plástico

a gente tava lá
e tava tudo bem
e eu fui na frente
e toda aquela água
e toda aquela escuridão
e você veio depois
e eu fui indo até você
e eu quase fiz besteira
até um demônio desconhecido
aparecer.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

coexistência: medo

hoje eu sou o tédio
ontem eu fui teu medo
amanhã vou ser todas as possibilidades de utopia

só pra te manter sozinho,
e dobrar teu chifre -
quebra tua espinha.

eu confundo tudo

chamando minha plenitude de
utopia
vendo maldade em tristeza
dentro dessa
melancolia
fazendo rimas  piegas para correr
dos porquês
achando que a natureza é só minha
quando na verdade ela não é
e imaginando a possibilidade de um caminho
só pra sentir como o de verdade é

eu confundo tudo
eu nem sei o que quero dizer
eu nem sei se me quero
se quero ele
ou se quero você

mas eu no fundo eu desejo o nada
e desejar é chama selvagem demais
não dá pra se controlar
mas apaga-se sozinha
assim como só começa a cantar

com o fundo eu me confundo,
e me desfaço até a superfície só pra nos enganar de novo

um cão anda luz sem patas
eu quero cortar teus olhos e arrancar tuas pálpebras e colocar ai algum olho de olhar novo

mas eu confundo tudo
e formigas saem das minhas mãos
e eu no fundo me sinto supérfluo
e me escondo

vou fazer de contas, sem ser romantismo
vou fazer de verdade, em romantilidade

porque eu gosto de confundir tudo
e eu ainda vou viajar no tempo, com esse equilibrio em três

então segurem minhas mãos amputadas
eu confundo tudo
eu quero confundir tudo
quero todos confusos

só para me sentir ainda mais confundido

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Poesia Pagã - a muda


Ah, cala a boca
Cala essa coisa e essa mania
Vem cá, vai
Cala essa boca
Tô cansado desse teu discurso barato
E toda essa idiota dicotomia

Anda, cara,
Anda de ré pra cá
e se vira pra mim
e cala essa boca

tô nem ai pros meus problemas
Ou essa tua fama de Messias

Vermelho, azul, acizentado
Cala a boca, Messias
Cala a boca
Tu tá vomitando
Aleivosias

Vem, vai, encaixa
Cala a boca
Cala a boca
Cala a boca
Porra, cala a boca!

Cala a boca e me chupa.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Triste por você que não tem barba.

Obesidade


Nosso corpo é uma bola
Gigante e ondulada
e eu tô nem ai pra nada, porcaria!

Meu pau tá escondido
A vagina dela tá em latas
e a gordura é de histeria

Mas quando meu corpo
Toca o dela
e o dele toca o meu
E você inveja minha falta de virgindade
E condena a putaria em tua mente todo dia

eu gozo pra caralho!
não
ainda não

domingo, 5 de agosto de 2012

Desse apego

é a solidão
é a solidão
é a solidão
só isso
só ela
ou ele
é o solidão
é o solidão
é o solidão

chamado do abandono
gritando por um abraço de pano
uma palavra em suspiro
um chamariz de faíscas
o arco sem flechas de todos cupidos

é isso
é isso
sempre por causa daquilo
sempre depois das pequenas verdades
a dor de olhos sempre fechados
ao se abrirem para a luz
e deixarem o escuro

é solidão
só solidão
clamado pelo abandono
olhando os desejos
cumprimentando o desapego

Falo em tua boca

com preguiça
de decassílabos indecentes
sem a nobreza imunda
da métrica fumada
vazia
e desleixada
que injetaram em teus buracos
d
   e
      v
        a
          g
             a
                r
como quem nada quer dizer
sobre isso aqui, que não queria se calar

penetro, surda, a tua mente
e divago cambal e a  n  t       e
pelo suor
da tua barba escura e com cheiro de gim

meus dedos metidos ládentro
eminh'alma aqui fora
se é orgasmo por orgasmo
te masturbo nas beiradas
e gozo hoje mesmo
talvez agora

calando cada medo e a dor que ninguém sente
o cantar de noite
o sangue que escorre
e a pontada diária no teu dente

sem agasalho
nem camisinha
e
u

f
a
l
o
ereto

hostil
e sem nexo
dentro dessas coisas de corpo e de poesia

sábado, 4 de agosto de 2012

Tua poesia é uma merda


Vai babaca,
bate palma,
bebe vinho,
ri das minhas piadas
que eu rio da tua cara,
chupo a tua rola, guri
penetro tua cara, mulher
e te deixo feliz, homem de varinha

todos nós um bando de hipócritas
que gozam toda hora
a falta de gozo
do incerto
das vontades
e da fantasia

fazendo de conta que tudo é lindo
que não há beleza no escuro
e que amanha de manhã
vai acordar
pra gozar
da porra de um novo dia

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sozinho

ele canta sobre janta
eu falo do almoço
sentado na mesa branca
janelas à frente e para trás
e o sol do meio dia
sem hífen pra conectar nada
nem ninguém
nem palavra
e meu papel é a parede
e a parede sou eu
e eu não quero me dizer
e fica todo assim
sem nada
só assim
só sem sol
como o sol que está só
eu papel
parede crua
nua

...

Flame of desire

Just come to my arms tonight,
baby of mine.
We can make sandwiches
Drink some gim
Watch your wall
full of word-stars
Then go to your bed
Make love
This special kind of ilusion
And dream about alligators.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Aaaaaaahhhhhhh

um poema a-
sim
meio sem por-
que
eu vou
gritando
e rodando
e esculpindo
e dizendo
e calando
e dizem en-
fim
há um fim
de recomeço
sossegado
e falando
e falando
e falando
e falando
e falando
de nós em nós dois
pensando nessas histórias
que me aquecem
sonham
e enaltecem
terminando antes mesmo
de começar

domingo, 29 de julho de 2012

vem

e agora
cade sono
cade sol
vento
ar
um abraço e tua companhia
nesse dia
cinza com fome
sem alegria

sábado, 28 de julho de 2012

e ai eu disse tchau
e também disse tchau
e dissemos até logo

paraiso


na musica que diz eu
e no céu cinza
e no sol que se esconde atras do muro
e coexxiste com certos sons
pra abraçar

e de equilibrio entre nuvens
onde sol se esconde de novo
e o azul é cinza
e as arvores e as folhas e o vento e os pássaros e os insetos voando
se perdem no tempo
e o tempo se perde infinito
ali
aqui
lá dentro
e assim

Foi naquele dia com o Eduardo e a varanda e a calma e só

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Nylon Smile

Escrevendo um poema
Pra te lembrar, Golias
Que vai tudo bem
E o todo vai mal,
E que não tem nada demais em não ter nada.
Porque algo demais é ser demais.
Não o verbo, mas o substantivo.
O Ser demais.
E então, ok, Henrique
Continua indo assim
Que continuo dormindo aqui,
No fim do sonho a gente se encontra e não tem nada nisso também.
E como vai ficar a bagunça lá dentro eu penso depois
E a gente se vê por ai.
Tá tudo bem.
Tá.
Tá bom.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

É castanho

Nuvens de castanho
e os cabelos castanhos
e olhos de escuro castanho
e barba de castanho negro
mãos que falam em castanho
e corpo que chama o meu castanho
chama com o castanho da minha voz
e com o castanho do meu corpo castanho
e os olhares se encontram castanhos
por mínimos segundos castanhos
e chove na ponta do cigarro
faíscas castanhas
e o silêncio castanho claro,
é de mel,
de sol que  bate no castanho branco
e sangra meu castanho no negro
e acordo para ouvir isso aqui:

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Hollow IV

Não vai ter bicicleta pra pedalar
Nem bola pra tu chutar
Ou água fria pra beber

Às vezes vai ter choro
Às vezes vai ter riso
Ou talvez não

Ta,
Tá ok.
Vai embora.

Eu diria que sem tu aqui não tem ninguém
E nem chama pra aquecer
Mas ok.

Ah, mas cada duas letras iguais..
Ah, eu sei o código.
Mas não sei dizer.

Ou você é direto
Ou junta o objeto
E só.

Mas no último verso, eu quebro as regras, me disfarço sem mascara, e fico em nó.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Mugen

Eu gosto de banalizar palavras e soar clichê. Mesmo isso sendo mentira.
Não me faz bem.
Não precisa fazer.
Eu faço. E não sei o que dizer.

Se mostrou demais e aí que reside o perigo. Qualquer coisa rimada agora, é fisgado por um estranho ou um amigo. E ai vem o medo de ser romântico. De ser poeta. De ser in verso ao avesso. Que fazer.

Quero é te fazer.
Não na cama
Não na chuva
Não na fazenda.

Nisso ai que chamam de alma.

Mas como eu gosto de piegas e clichê, I'll try it in a English way.
Porque a pior saudade é essa de quando se tem por perto mas não se tem.

Ai eu fico sozinho aqui, baby
e você continua socando minhas noites solitárias sem saber.

Preciso terminar um livro e começar outro e preciso de café.

Tchau.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Eu vou bem, obrigado.

Ah, 
Mas
se eu te falasse
Sobre todas essas coisas
Essas doses solitárias de gin
Esse cigarro que não apaga
Se eu te contasse sobre essas dores no peito
Essas coisas que a gente enrola, abraça, chora 
Só para querer correr, parar, olhar e falar a verdade:
Falar disso: e daquilo: e do que passou e se foi - da saudade.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Why? Because FUCK YOU that's why

Uma amizade interrompida é exatamente o que nome sugere: um tudo em nada aos pedaços.
Sem motivo
Sem querer
Sem próposito nem porquê

Não é uma merda: é o incomôdo de aturar a fragilidade do outros e ter pena.
Pena para bater as asas e voar,
Olhando os outros no chão.

Uma amizade quebrada é exatamente o que não deveria ser: não é e faz de conta que nunca foi.

domingo, 1 de julho de 2012

Máscaras de Guy Fawkes


Não tô andando
Nem parado
Só ouvindo
Caminhando
Mãos no bolso,
Assustado,

De ladinho vou passando

E te vejo
Lá de longe
Sem calar -
Ninguém discute

Tô por perto,
Observando,

De sombra em sombra aumenta o passo.

Mascarado,
Indagando,
Resposta ninguém tem.

Mas tô esperto
Tô de boa
Aponta arma
E te abraço

Não cego,
Só de óculos,
Me engana
E te enlaço.

E assim sendo
Assim seremos
E tudo mais.

domingo, 17 de junho de 2012

2006

eu não
eu não existo mais
eu só fico aqui no escuro ouvindo as vozes
eu só fico aqui a tarde ouvindo os risos diformes
eu não
eu nao existo mais aqui dentro
eu sou parte desse passado enterrado
eu sou só uma porçao pequena de ar no vento
que passou
e passou
e não existe mais
e escrevo bebado
cobiçando um cigarro
bebendo saudade abortada
sendo o mais feio de teus amigos
sendo o fracasso omitido
a falta de carisma que em te transborda
o idealizador que condena o não realizado
eu abro os braços e escondo o atalho
por não saber o que sentir
porque não existo mais aqui dentro
e não sei o que há aí dentro
e não sei mais o que sou eu, ou tu, ou sentir
e eu te amo tanto e tanto e tanto
que me mata
só imaginar
esse desespero.

sábado, 16 de junho de 2012

Em Maringá, 1606201220h08

eu vou é fechar os olhos
sair com o mundo
dançar demais
porque o tema foi embora
o poeta chora
e a Gente quer demais

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Gin e Morango

Naquele tempo em que tive planos
Correntes incertas
Fugindo do eu ínsono
Como formigas assustadas
De um passo estridente
Como as formas inacabadas
Do rastejar carente

Foi tudo embora na poeira
Na brisa que ficou lá fora
Sentado sobre folhas
Esperando o céu chegar

E seu azul é angústia
Me lembra filmes, Melancholia
Da noite em braços ilusórios
E da distância que cresceu e cresceu e cresceu
Enquanto fingia

Naqueles dias em que, ahhh, os teus cabelos em meus dedos
E os meus no cigarro
E o copo em nossas bocas
O querer, o amar, e o me calo.

São só utopias vertiginosas,
Eu em cigarro me trago sozinho,
E de certezas completas e sólidas
Vou-me embora para o céu cinza
O vento frio
Enforcado em um pedaço de fio.

Voltar para aquela noite,
na morte,
Sentir o gin o morango
E o cheiro do teu carinho.

sábado, 2 de junho de 2012

Zoo ---------- Tertúlia ---------- 02/06/2012

e se o nada é
      i  n  c  e  r  t  o
e o correto me
     c    a    n    s   a
eu vou é fechar os
      o l h o s
          e
d    a    n   ç   a  r


Tertúli-
           a

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sem interrogações

e de vez em quando me pergunto
de vez em quando o eu indago
por que tanto tempo corrido
de onde tiro o último trago

e como se pode gritar o silêncio
com o eco do lado enamorado
que se desamarra e aquece
se desdobra
e me esmago

e ninguém responde

como se o ar soprasse o alento
e de quando em quando
o calor apago
a ponta de cigarro entre os dedos
e o querer o calar o ir e o desesperado

uma estrela falsa e decadente
que satisfaz o primeiro desejo

sem querer
sem calar
sem ir em frente

me desesperando
e andando

contundente

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Outra merda

can't sleep
can dream
can't put a ring on your finger
can you put a smile on our face?
can you leave from the yard
and take me to the grave?

what's going on
and what happened?
I cannot feel the sound
I'm just broke in reverse
now everything scream so loud

tell me how to dance
tell us how to sleep
come on, take to the breakdown
let's fall in love and kiss

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A merda

houve um tempo
em que o cigarro não gritava
meu café me abraçava
e o pôr-do-sol satisfazia

foram aqueles dias
de alma não enamorada
de escolhas velhas
e mal passadas
que se podia evitar

os momentos incertos
de andar na rua sem chinelo
e sorrir sem saber o porquê

de ficar de vez em quando
de não beijar todo dia
a sensação de abandono
e ter colo de mãe

agora tudo ficou difuso
minha vontade nem sei mais
é só ao outro o oportuno

e desdobro o pensamento
castigo o meu estar e o incenso
dos dias de pais
de onde fugi

o fantasma não canta mais
golias não canta mais
ninguém canta mais a mim

mas eu canto por todo mundo
acendo cigarro
encontro a vela do mundo
e o todo
esse mundo todo se triplica

e fico na janela com o cigarro gritando
o café faltando
e o pôr-do-sol atrás das minhas
costas.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Eu queria poder dizer muitas coisas olhando nos teus olhos mas a verdade é que não sei fazer nada além de escrever e sei que você não fará nada além de olhar, ler, não pensar, e esquecer então é o fim mesmo.

acostumado
a ficar
todo hora
todo dia
angustiando e distante
te olhando
calado em
demência constante
fingindo
te ignorar
só pra que
deseje a mim
ao teu
lado.

Já aconteceu

e se um dia eu cansasse
de dizer que te amo
ia me odiar com tanta verdade
que o faria pensar o contrário
para que me desprezasse
e me deixasse no abandono

e se um dia eu desejasse
voltar a andar contigo
poder tocar de novo os teus cabelos
segurar tua mão,
como naquela noite,
ao menor sinal de perigo;
se um dia me visse novamente como amigo,
que seria de mim ou dos nós em nós?

se eu parasse de falar contigo calado,
e me rendesse a tentação
de submeter-me a essa utopia
e me pôr, por fim, ilusório
que é que seria?

o que vai acontecer às minhas mãos cortadas,
essa sensação recalcada,
de ódio que não nasce
e faz crescer o amar?

porque chega hora que não basta fingir que odeio
por saber, que no fundo e na superfície,
nem isso sente por mim,
e é nessa hora que sou Sol em busca de tu, Lua,
triste e apagado.

Quanto tempo vai levar,
até eu morrer,
e ser condenado a viver às prisões de minhas próprias ilusões -
ser teu amado?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Vou-me embora pra Sabores (da Brasil)


Vou-me embora pra Sabores
Lá meu cartão é rei
Lá tem a cerveja que quero
Em copos gelados, que eu sei


Vou-me embora pra Sabores
Vou-me embora pra Sabores
Aqui nem sou feliz
Lá as coisas costuram
De forma tão inteligente
Que a Unila, louca e cheia de manha,
"Imperatriz" e negligente
Se torna o amor doente
Do amante que não tive


E como caminharei, na lástima
Vou me por em bicicleta
Correrei por entres os carros
Subirei na melhor mesa
Vou comer shawarma e amar!
E quando estiver borracho
Caido, como um qualquer vil
Mando chamar o garçom
Pra guardar minha história
Pois logo não serei menino
E alguém irá me podar
Vou-me embora pra Sabores


Na Sabores tudo é louco
Louco em união
Tem pessoal seguro
Pra parir a confusão
Tem mesa amarela
Tem cadeira a vontade
Tem travestis bonitas
Pra gente paquerar


E quando me ver sem riso, triste
Sem alegria e sem direito
Quando a noite vier
E a morte me chamar
- lá meu cartão é rei -
Terei o lanche que quero
Na mesa que escolherei
Vou-me embora pra Sabores

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dedos

deu me dor nos dedos
costurei a carne
descolei os medos
comi das minhas cinzas
desdobrando o azul
corroendo vertigens
dessas férteis minas
como o nada na neblina
desse medo blue

deu me dor no colo
costurei tudo a unha
degolei o ego
decolei eu-feto
degustei aleivosias
comendo da chuva
correndo da lua
demente em poesia

chorando e cantando e sorrindo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Canção à Segunda alma



E eu me desdobrei disperso
Procurando ritmos em silêncios escuros
Tudo mudo,
Mundo in verso.

Quantos poemas desnecessários
E romantices exagerados criei,
Para que em um momento me achasse enamorado
Dessa outra parte
Que ai dentro depositei.

Desmembrando-se aos poucos
Bebendo do choro como quem bebe
Água ácida assim
Da chuva.

Andando de madrugada, conjecturando
Uma manhã que não ouvirá
Porque o peso da segunda alma
Está longe
Tão longe
Ao meu lado
Perto,
Do lado de lá.

E o desencontro matinal com  o espelho...,
O reflexo que não condiz e tanto faz

É agora canção sem música
Grito sem silêncio.

É  só a outra parte da laranja
Cambaleando
Se contorcendo.

É a outra metade
Que chora
E sofre
E sorri.

Sempre sozinha,
Assim,
Só minha,
No relento.

Para negar que te ama.
Para dizer que não estou aqui.
Para esquecer uma meia dúzia de fatos,
teu sorriso falso
que não nota o afago
E nem ao menos finge
A mim.

Só ideia solta sem ritmo sem nota e sem vírgula assim.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Golias quer falar

e eu me ponho louco
pois te sou espeço
como um arco partido e solto
flutuando em uni verso
e de encontro a desencontro
se distorce, a forma no espelho
eu deslizo
c
a
i
o e ponto.
concretizo o desespero

e de mentira
é nas verdades
que de mitomania brinco e andamos
eu falo sem sentindo
teus dedos meu piano

e a melodia é disforme
e eeu me perko açsim
e usentidus si descolamsasas mboi msass
poesia infiasta9sasa
ameop me mim


Golias, a Henrique Santana Cordeiro

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ave verum corpus; salve o verdadeiro corpo.


- E o que você queria?
- Eu queria ser mais fraco, disse ele antes de virar as costas e sair caminhando.
Não havia mais nenhum ressentimento em seu olhar, a confissão fora sincera. Estava lutando há muito contra algo que não podia sequer entender e a simples ideia de combate exigia uma força de naturezas tão desconhecidas quanto a sombra que enfrentava. Ainda agora, quando penso no primeiro contato que tive com aquilo, estranho e desconhecido, pois por mais que tentasse do seu eu nada captei, lembro apenas da chuva e dos raios e do vento e do sangue em suas mãos. Sangue este que só eu vi e a coisa talvez jamais tivesse tocado.
Foi em uma noite de outono, como esta, em que o frio começa a se mostrar e o céu da cidade apresenta tumores de nuvens carregadas, que logo se espalharão por toda a imensidão infinita, transformando a alegria azul em melancolia cinza. Cinza onde me desdobro e me encontro e é o fim.
Pensava nisso quando o céu sobre minha cabeça se fechava para o seu próprio mundo e de longe me olhava. Caminhei em passos lentos, algo havia acontecido, mas escapara à minha memória – a mente me bloqueava e nos protegia -, mas esse algo era necessário saber. O vento cortou meu rosto quando, de súbito, um cachorro latiu do outro lado me encarando. Eu nada fiz. Eu nada queria. Saí andando e ignorei o sinistro negro de olhos vermelhos que sorriu a me ver.
Quarenta e dois passos depois, o corpo sucumbiu e caí de joelhos. As mãos percorriam minha cabeça e puxavam cada misero fio de cabelo por motivos que não compreendia. Sabia apenas que me odiava, e foi me odiando que fitei o céu negro, mas cinza, que me fitou de volta e chorou comigo; e como se cada gota de chuva ganhasse vida, minhas lágrimas caiam mortas pelo rosto. Abri a boca e bebi daquilo tudo enquanto meu silêncio clamava por misericórdia. Ave verum corpus. Mas nem a fé me respondeu.
O vento de antes gritou mais forte, e minha pele foi dilacerada mais uma vez, e duas, e três. Minhas unhas cediam à minha loucura e penetravam-me a carne, exigindo sangue, crucificando-me por sentir. Ave verum corpus, pois o espírito ali morria... E então meus olhos se abriram e de chuva a tempestade, tudo negro se tornou.
Revi teu rosto, luz do Sol, e meu desespero desenfreou-se. Porque não importava saber que não devia me depositar, uma vez que já o havia feito e de exorcismo nada sei. Lutei contra e clamei a favor, mas o sentimento sempre pareceu vil. E com o passar dos dias, e com passar dos meses, e com a extensão das horas e minutos, te vi indo para longe... como se nada mais importasse.
Ave verum corpus, porque a ti não posso tocar.
Ave verum corpus, porque nem amor e nem ódio poderemos compartir.
Ave verum corpus, porque não e porque sim.
E enquanto rolava ao chão, o sinistro de antes se achegou e lambeu meu rosto vira-lata. Seus olhos vermelhos choraram sangue sobre mim e gritei, ME MORDE!, mas ninguém me ouviu, nem ele que estava ali, me lambendo. As unhas se acalmavam e a pele gemia; a água refletida em mim, e caída dos céus, adormecia. De longe vi a figura do outro se aproximar, cambaleante e sem sentindo, como um bêbado enamorado pela madrugada fria. Beijou minhas mãos e me assustei com o sangue que sumia delas para irem às suas, mas nada importou... Ele era um espelho, um fantasma. O outro era eu. Com suas mãos banhadas em carmesim e cheirando a carne pecaminosa.
Eu sorri em desespero, e então só ri.
- O que aconteceu aconteceu e é isso.
- Não era pra ser assim...
- Palavras erradas, e o inferno se criou.
- Preciso de mais força, não vou abrir mão do Sol.
- Você é trevas, a luz do outro te destrói e abomina.
- Então eu prefiro morrer.
- Não a mim.
- E o que você queria?
- Eu queria ser mais fraco, disse ele antes de virar as costas e atravessar o silêncio. O cachorro sinistro e seu olhar vermelho sumiram na neblina que se formava, escondendo minha visão. Olhei minhas mãos e elas estavam limpas, a culpa do sangue parecia ter ido embora e voltei a chorar.
E os dias passaram sem graça... até o fim.


Golias, em Henrique Santana Cordeiro



sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pensamentos soltos sobre Foz do Iguaçu: eu não surpreendo nem o espaço me assusta.


Cotidiano clichê em dois atos: o de quem não percebe e o de quem percebe demais. Eu ouvi essas duas histórias por ai, mas nem devem ser de todo certeza. É que a mente às vezes me engana e crio vozes que se misturam como água e fogo, então é vapor. E vapor não se pega, mas queima. E eu não sei o que isso quer dizer. O primeiro menino pode ser menina, e o seguinte é menino mesmo. Todo menino fica nu no espelho de vez em quando. Não vou dizer que sou eu, porque não sou. Mas eu poderia ter me desdobrado nesses dois, então deixa pra lá. Você tá achando essa introdução um saco, mas isso aqui nem é introdução: eu só tô procurando uma forma de ligar essas histórias que nasceram juntas e insistem em dizer que não são gêmeas só porque vieram ao mundo em dias diferentes. É tudo ilusão, me disse Clèment Rosset, mas a verdade é que esses personagens são como o pobre Jacobina, do Espelho do Machado de Assis, mas que não encontram sua segunda alma. É foda, mas é isso. E não me encha saco dizendo que cito autores para me justificar porque todo mundo um dia vai fazer isso. É foda.
Chega de enrolação, vamos ao primeiro caso sobre esse ou essa – genêro hoje em dia é foda – que se desencantou muito rápido de Foz do Iguaçu. Repito que não sou eu, talvez o Henrique, mas não eu.

1.                  Passagens do Dia -

O celular vai cantar três vezes antes de você acordar e, quando o fizer, vai quebrar o silêncio. Nada de novo vai acontecer. O lençol vai escorregar até os seus pés, para serem resgatados até o alto de sua cabeça, enquanto seus olhos, de novo, fitam o relógio.
Hora de acordar, você se diz. Mas não levanta.  Ao invés, vai permitir que seus pensamentos afundem no sono, e que sua mente deite um pouco mais na dormência.  Nada de novo vai acontecer. E é lutando contra essa vontade louca de ficar ali sem fazer nada, que se levanta. Olha ao redor, e os outros dois estranhos ainda roncam – não se importe, você pensa. Desliza os pés por entre os chinelos e apenas com a luz que invade o pedaço da janela não ocultado pela cortina do quarto, se arrasta cambaleante e morto-vivo até o chuveiro.
- Hoje vou dormir mais cedo, você mente.
E quando piscam os olhos, o ambiente mudou, o tempo passou, e seus sentidos nem perceberam – é o efeito da rotina. Enquanto finge com seus amigos uma piada qualquer do café-da-manhã, ergue o cartão e a primeira passagem se faz: hora de entrar em uma viagem rápida, para um lugar rápido.
- Se estiver com sorte, vou ter um lugar para sentar, você pensa. E isso acontece.
Nos seus fones de ouvido há um silêncio tumultuoso, enquanto a voz de um ser distante vem até a sua consciência em forma de deja vu. “I believe i can see the future, cause I repeat the same routine”. E ele está certo, você se diz. E aos poucos você se recorda de quando tudo ali era novidade, e de como o novo te fazia querer acordar cada vez mais cedo para abraça-lo. Mas agora o novo se tornou um desejo gritante por novidade. E nem faz tanto tempo assim e...
E antes de poder pensar seus olhos piscam. O céu escureceu, nada de novo. Hora de voltar pra casa. Você ergue o cartão enquanto ri com seus amigos de uma piada feita durante essas horas e horas do dia que passou e ninguém percebeu. Se estiver com sorte, vai ter um lugar pra se sentar no ônibus, mas isso não acontece.
- Hoje eu vou dormir mais cedo, você mente.
Passagens de um dia qualquer.

E é, esse terminou assim, sem que ninguém percebe-se nada. O segundo é mais atento as coisas menos a si. Eu ri dele. Ri de novo agora. Divertido.
Vamos lá.


2.                  Não tem tradução mesmo não

Outro dia, andando por ai, me deparei com uma sacola cheia de cds quebrados. Peguei curioso e vi que eram daqueles antigos, que hoje em dia pouco se escuta, mas que tem seu valor maior que aquilo que muito se escuta. Tinha vários nomes ali: Noel Rosa, Nara Leão, Rita Lee e por ai vai. Seja dita a verdade, eram todos pirateados, com suas capas desbotadas e seus discos marcados a canetão azul e vermelho, vermelho e azul, com a única finalidade de distinguir um do outro e nada mais. De resto, seriam todos os mesmo pedaços de... sei não.  A seleção é boa mesmo, pensei eu, mas tá tudo ferrado, concluo eu.
E não fez diferença nenhuma porque cópia virtual daquilo é fácil de encontrar e pronto. Acabei por abandonar a sacolinha velha em uma lixeira mais velha ainda e é assim que a história deveria terminar. Deveria, mas não irá. É que Foz do Iguaçu tem o dom de me surpreender sem me surpreender e isso me assusta. Há pouco menos de um ano aqui já existe na gaveta material para um livro inteiro de contos, e inspiração para muita poesia – se bom ou ruim eu sei lá, mas estão aqui. A sacola de cds velhos com seus antiquados e arranhados artistas quase esquecidos, gritou lá do fundo da lixeira quando lhe dei as costas e me pus a caminhar, e nem percebi a principio - o que a fez gritar mais. Quando me virei para amarrar a boca da infeliz, tinha outro infeliz ali me encarando, com o plástico na mão:
- Hei seu moço, tem certeza que não vai querer isso aqui? – e eu nem perguntei o nome dele, agora que paro para pensar, mas estava meio rasgado, jeans sujos, pés descalços e o cabelo sambando na cara da sociedade. Se pudesse o chamaria de Israel, sei lá por que.
- Estão todos muitos riscados e eu nem tenho como reproduzir, então não quero mesmo – e eu nem me perguntei se o dono daquilo tudo havia deixado o tesouro inútil ali por ter pegado de rabo a mesma conclusão.
- É som do bom, eu vou levar então – falou Israel vasculhando aquele mundo plástico.
- É do bom mesmo, eu brinco que no meu enterro vai ser tocada Fita amarela do Noel – e era verdade mesmo, tenho amigos de testemunhas.
- Noel é do bom, meu pai tocava pra mim. Quando mãe morreu a gente tocou Meu barracão com a Bethânia cantando, mas eu acho que ela ia preferir Não tem tradução, seu moço. Gostava muito – e eu nem percebi na hora que Israel estava triste.
Dá saudade, seu moço, dá saudade.
- É verdade – disse com a cabeça baixa, olhando meu pé calçado. E nem dei tchau a Israel, que sumiu antes que pudesse fazer qualquer coisa.
Fitei a lixeira e vi que a sacola estava lá. Dei as costas e saí andando.
Perdi a bossa, e voltei ao barracão.


E agora eu fiquei confuso e tô me perguntando quem sou e quem é que tá teclando isso aqui. Desdobramos-nos e desdobramos a percepção do espaço o tempo todo. É que lá no 1 nada surpreende, e no segunda há algo fantástico agindo nos bastidores para me fazer pensar que não tenho nada de surpreendente, a cidade sim. É foda.

3.                  Conclusão
Hoje de manhã eu acordei e fui ouvir música e dormi. Quando acordei estava olhando um espelho e me assustei: tinha um mundo lá fora e, como em minhas palavras não encontrei sentido algum.

   Que merda de texto.

Golias ou Henrique Santana Corderio

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Bunkhouse Theme


Enquanto caminhava sozinho, assim de lado, por ai, esses corredores abertos em um recorte da Itaipu, fiquei pensando em madeira e tudo mais. Não sei dizer, apenas me peguei pensando e de repente o Dylan tocou para mim, assim, de lado, como quem não quer nada. Mas não sei dizer mesmo qual o porquê dessas coisas.

- O que vai querer?
- Um Del Valle de maracujá.

Depois eu estava sentado no quiosque, cercado por pouca gente que não se nota e então não existe. Ficar triste por muito tempo é uma qualidade humana que ninguém compreende. E generalizo mesmo porque não gosto de generalizar. Isso me deixa triste. Mas não sei dizer mesmo qual o sentido nessas coisas.
O vento soprou hoje cedo no meu rosto, mas não sorri.
Eu não gosto de sorrir.
Tudo porque as vezes eu acho que me encaixo, no resto do tempo não.
E de vez em quando sonho com aquela crônica que não sei da minha cabeça e não tenho coragem de pôr em papel ou no virtual. Dá medo o conhecer-se. Um daqueles momentos bem peculiares em que se tem consciência do eu falando de si.
O vento soprou agora de novo.
Ouvia Bunkhouse theme.

Queria destruir todo e qualquer espelho no mundo. Reflexo é pior que o vento no meu rosto.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

As histórias são história e sól.

e eu me perdi
na lembrança do teu abraço
assim sem rumo e sem vírgula
semme ligar muito para osespaços

se me faço sol,
tu é a lua
e a relação é a caótica
com minha mão aberta estendida
- fechada e longe a tua -

o mundo é nossa orla
eu ilumino o dia
tu é minha aurora
- lua, a água fria
minha proteção
sol, fogo quente
tua expansão

de paganismo a paganismo, nem sou o alfa
sem fé e sem fé, tu é omêga

quê que é que eu faço com o calor, eu Sol
se a lua
ai, o lua
oh Lua
pouco a pouco tu vai-se em outra noite
e me abandona...

terça-feira, 3 de abril de 2012

A Unila não existe, seu moço. E agora?


E a chuva cai sobre a uniamérica, sobre Foz do Iguaçu, mas não sobre mim, enquanto me atraso para aula e desisto dela. Sentei aqui nesse banco, abri meus textos e comecei a ler. Nostalgia demais em um código tão simples - a escrita. Maria Bethânia cantando nos meus ouvidos enquanto espirro (atchim! Atchim! ATCHIM!) em desespero.
Sinto saudade de casa e escrevo em negrito, porque assim o texto fica mais carregado e me esvazia. Lembro do quarto e da sala, do cachorro correndo atrás de mim no quintal, das brigas e dos risos e concluo que o espaço é importante para uma família: (ATCHAMM!) sem o quarto não teria vídeo-game com irmãos, sem a sala não teria conversa com amigos, sem quintal não teria o cachorro correndo, sem tudo junto não teria onde conversar com pai e mãe e irmãos e irmã e todo resto.





E volto à chuva de Foz do Iguaçu, me torno pierrot e ela meu choro. Eu já disse antes quevoltei para o barracão, mas agora nem isso. Olho em volta: o espaço em volta é um imenso vazio com pessoas indo e vindo e voltando. Alguns param e me olham por um segundo antes de concluir a falta de importância nisso e se vai. Terceira semana nesse lugar e nem sei mais o que se sente. Mas o que não sinto são saudades de uma casa nessa cidade.
É que unileiros “tem” dinheiro mas são sem-teto, e em uma epifania pífia do universo uma voz muda lambe minha orelha e balbucia que a gente não existe; que não sou nem um crachá para mostrar, porque nem isso tem mais significância. Nos tornamos (atchim!) capivaras sem rosto, andando para lá e para cá sem lugar para ficar.
Nem corpo há, e a alma não tem rosto. O que é que somos, Rosset? Um real ou um duplo? Eu sei lá... Por isso escrevo em negrito. Lembro de ontem a noite e daquele desabafo virtual e choro – pois agora sou a chuva e ela meu choro; lembro das palavras e dos poemas e choro – porque eles são minha alma, que é a chuva que agora começa a morrer; lembro de casa e choro – porque a chuva que sou eu começa a cessar; ouço Maria e choro, porque me lembro da Unila que não existe e me pergunto como posso lembrar e sentir falta de algo que nunca existiu.
Choro em negrito. Negrito deixa tudo mais forte. Tempestade e luto. Só luto em um texto não-revisado e mal escrito.
E ninguém apita.


Tiiiiiiiii

- Diz que me ama, diz assim,
Por favor,
diz pra mim

e ele saiu por ai tentando
encontrar uma forma pra sua loucura
uma mentira pra justificar sua ternura
e todo o resto

porque estava louco
louco dessa coisa de amor
e não sabia o que fazer

e então cantou ao vento
chorou para a lua
e queimou no sol
tudo isso que a angustia atraía

sobrou apenas a luz
essa chama louca de amor
e nada mais

mas ele morreu
bem cedo
aos vinte anos

por não saber como lidar
com essa coisa
essa coisa louca
de amar

quinta-feira, 29 de março de 2012

O lençol, o cobertor, o agasalho ou O Sol


E me questiono diariamente o que é essa coisa de amar. Porque existe um acordo social aparentemente imutável que prega apenas um fato indiscutível: um jovem não sabe o que é. Provavelmente está aí a causa primeira de sentimentos não justificados. Eu por exemplo, já andei por ai dizendo que amei certa vez e ainda nem cheguei aos vinte e um anos – tô ali na porta, mas não a atravessei.
É preciso questionar a veracidade desses dogmas, porque é complicado simplesmente afirmar algo assim e ponto. Confesso minhas paixonites, sem saber ao certo o que elas são, mas gosto de especular. Houve sim aqueles garotos, e até mesmo certa menina, que tomou minha atenção e vida por um determinado e curto período no tempo. Naqueles dias em que o olhar deixa o eu em  alfa, e um leve toque leva a ômega. Mas nada insuportável – é só uma coisa quente no peito, como um lençol em dia de chuva. Passa rápido, e é confortante enquanto existe, mas nada além disso, nada de tristeza, nada de alegria. Alguns dos meus primeiros versos nasceram dessas primeiras e simplórias percepções sobre algo que jamais entenderia. Não importava nem mesmo as problemáticas de uma sexualidade adormecida.
Nada fazia muito barulho, era só um lençol em dia de chuva.
E então acontece de, um dia, a sensação ficar um pouco mais forte e algo arranhar seu estômago. Deve ser o que chamam de paixão. Foi de uma dessas silenciosas e nunca comentadas que minhas primeiras experiências corpóreas se concretizaram. As coisas fluem naturalmente em ambos e o vento sopra um pouco mais forte.  O lençol voa, um cobertor é preciso, e se aquecem. Mas nada além disso – há um algo físico que inibe e nunca se resolve. Mas nesse caso havia sim a problemática de sexualidades mal resolvidas e tudo e ponto. De qualquer forma, é natural, como se tudo conspirasse e empurrasse para a repetição: de novo e de novo e de novo, os corpos se desejam, a coisa no estômago arranha cada vez mais forte e, um dia, como se nada importasse, ela vai embora, deixando os lados livres.
É que parou de chover, o cobertor pode ser ignorado.
São coisas que se repetem, sem te incomodar: a chuva, o lençol, o cobertor. E assim a vida caminha sem nenhuma novidade – charlatã.
Mas um dia se decide sair de casa e o vento sopra muito mais forte. E não há onde se esconder. Sua bermuda, seu chinelo e a camiseta não bastam, não aquecem. Um estranho às vezes bem conhecido aparece e te oferece um agasalho, e você não percebe que não é um empréstimo, mas definitivo. Recusa-se a principio, mas a necessidade é maior e, quando se nota, você está aquecido, o vento para e ele foi embora. Nunca mais irá vê-lo, mas o agasalho basta. Aquilo que é preciso para se aquecer está ali, o doador é só uma ideia platônica de salvador. O agasalho te basta. Até que, no meio-dia, a tempestade se forma, o vento grita, a agua te molha e o frio te estupra. Clama-se pelo doador, porque o agasalho agora também doa a dor, mas ninguém ouve...
E no frio você chora, adoece, quase morre, mas sobrevive até que a tempestade passe e o tempo nublado perdure - porque não se sabe, até então, o que é a luz do sol, é tudo nublado.
Sempre me dei mal com dias claros. O cinza me parece mais coeso com minhas sensações. É por isso que o inverno é meu amante, e o outono meu amigo. Tenho medo do verão. Abomino a primavera. Porque no verão o sol se mostra sempre forte e impetuoso, um calor sem igual. Porque na primavera as flores cantam e andam de mãos dadas, enquanto estou com as minhas no bolso.
O céu azul me lembra da minha melancolia. Lembra-me do lençol e do cobertor. Faz-me sentir o frio daquela tempestade e tremer. Quando fico sozinho no meu quarto, em dias de verão, ligo o ar-condicionado o ventilador ou o que seja só para sentir o frio de novo. Quero o inverno sobre mim, porque ele é cinza. E o cinza das nuvens esconde o sol, que se teme.
Mas um dia entra em seu quarto, e o convida a sair. Deixa-se levar. Seguram-se as mãos e ele deitará em seu peito enquanto olham a noite nua. Nunca houve tanto calor, nunca houve um aperto tão forte.
Eu chorei.
E quando os olhos abriram, pela primeira vez, o céu cinza do inverno sumiu e vi o azul do verão. O Dia sem rosto no meu peito levantou-se, soltou minha mão e foi embora. Subiu... subiu... subiu... e disse adeus. Foi então que entendi o porque de tanto calor e tanta força: ele era o Sol, todo o calor vinha dele. Os lençóis, os cobertores e o agasalho juntos jamais seriam tão quentes quanto sua presença, lá em cima, olhando para mim de olhos fechados, sem me tocar.
E eu chorei, porque no fim daquele dia percebi que era algum tipo de lua. Condenado ao outro lado, a noite escura. Longe do Sol mas sentindo um pouco de seu brilho.
Talvez isso seja amor, mas eu não sei. Jovens não sabem o que é amar e velhos também não. Só preciso encontrar um motivo para apagar a luz, fechar os olhos.
Ignorar seu brilho, Sol.




quarta-feira, 28 de março de 2012

Prosa

E hoje eu prometi a mim
Que pararia com poemas
Ia deitar nas prosas
E escrever sobre outros dilemas

E isso foi mentira
Mas eu quero que se foda a verdade
Porque e a gente mente o tempo todo
Todo o o tempo
Sem parar

Eu queria ter um certo pra ter prosa
Mas eu só fracasso, o poetar

terça-feira, 27 de março de 2012

Diálogos Silenciosos VI

E, de madrugada, sentiram insônia sólida e saíram de sua zona real a conversar por cabos virtuais. Para um muito havia a ser dito, para o outro nada escutar. Porque só para um houve algo não ouvido, quanto o outro queria isto ignorado.
É o que acontece quando um ama, e o outro está enamorado

- E eu queria falar contigo
- falar comigo sobre o quê
- sobre essa coisa de amigos
- que eu não quero falar com voce
- nossas falas estão sem pontos
- porque não preciso interrogar nem de exclamação
- mas na melancolia eu senti nossas reticências
- aquilo foi minha fraqueza e sua ilusão
- chega de ponto-e-vírgula
- preciso que você pare agora
- então não posso mais te tocar
- no fundo eu não quero mais te ouvir
- é intransitivo te amar
- eu não posso forjar um sorrir

E um não mais procurou o outro e foi o fim.

Devil's Trill Sonata

caí da cama
e me peguei desacordado
tudo em sonho era festa
todo sonho enamorado

e os Amantes se bebiam
as Tristezas se matavam

tudo tão certo quanto o incerto
tudo filho desde Acaso

e no sonho na cama lá estavam
entre pernas que se erguem e se deitam
os dois enamorados
de lados e lados
e pecados a fazer

um eu-lírico para observar
um nós-lírico para me inibir

caí da cama
dentro do sonho
e vim parar nessa inferno-real, o aqui.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Sim

não
não
não
não é assim que a banda toca que o coro grita que o vento sopra em linha reta como quem não quer nada
não
não
não
não é com simples cordas amarradas ao pescoço que se esquece e se conforta

imbecilidades
nem sempre veem
confortáveis em linhas retas

domingo, 25 de março de 2012

23 Passos

é um movimento diegético
com os olhos fechados
e a boca aberta:
corre para um lado
desliza para o outro
e termina sozinho.

contempla a imagem dupla
e a matemática inexata:
se um mais  um é igual a dois
eu no meu é igual a nada
e só.

mais vinte passos e desmorona
mais dois passos e tudo acaba

no vigésimo terceiro eu acordo do conto demoníaco das fadas

sábado, 24 de março de 2012

Feliz aniversário

Foi a primeira vez. Talvez um pano que começou velho há muito anos atrás nos meus primeiros quase vinte e um nos de vida, ou um tilt de aspectos mais recentes e indecifráveis. Eu não sei. Mas foi a primeira vez que olhei para mim e percebi meu Nemesis. E doeu saber que, lá no fundo, eu estava mentindo a mim mesmo o tempo todo como se esse tempo todo tivesse sido algum tipo de verdade. Fracassei em muitos dos aspectos possíveis. E fiz sem querer.

É que eu fiquei viciado em coisas que se sucederam e só em mim criaram raízes de importância. Foi como uma droga de alto risco: experimente uma vez e seu organismo é tomado. E então, passa-se a agir de forma imbecil. 
Confundem-se as coisas, sabe? Na ânsia por mais daquilo você age feito um patife e não percebe: rouba, destrói e se for preciso mata só para satisfazer sua fome. Uma fome por algo que nunca existiu, logo, não pode ser suprida.

E em meio a tudo isso, nasce um monstro em pele de vítima, e ele é você. E isto passa a torturar tudo e todos, e principalmente, arrancar os pedaços do se tem por fornecedor como se a culpa por sua droga não existir fosse dele. Mas ela nunca existiu, e ele não tem culpa e é isso. É quando você a merda toda e alguém te acorda. Você acorda.

Mas não há nada agora... talvez eu tenha matado, é por isso que entendo o que tanto foi me dito sobre estar vazio, ser vazio e viver vazio. Logo chega meu aniversário. Tô torcendo para que o Henrique cresça dessa vez.

Eu tenho esperado que GH cresça há quase 21 anos. Ontem foi a primeira vez.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Hey, my Sun

Você devia sorrir mais
Chutar um pouco a melancolia
Você podia gritar mais
Dançar de mãos dadas com a ousadia

Assim a Lua teria mais brilho refletido
E a noite não seria tão escura
Sol, meu-não Sol,
Tome banho de água pura.

Você podia sorrir mais
e nada menos.
A gente podia cantar mais
E sofrer menos.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Eu sai por ai andando e de repente começou a chover.
Foi o fim.

Outra coisinha sobre meu Sol e esta Lua

e os dois passavam o dia brincando de brigar
enquanto esperavam a noite fria
porque lá no fundo eles não eram nada entre si
eram  um só nos olhos dos outros de fora
que viam no sol um xingo
e na lua a aurora
sem perceberem que passavam o dia impedindo o outro de cantar
mal se olhando
as vezes sem se falar
- sai comigo hoje
- tenho algo a fazer
o sol sempre se esquiva,
a lua fica sem porque.

e as coisas ficaram assim, por cento e trinta anos

eles se amavam mas só um amava

quarta-feira, 21 de março de 2012

Não tem tradução mesmo não

Outro dia, andando por ai, me deparei com uma sacola cheia de cds quebrados. Peguei curioso e vi que eram daqueles antigos, que hoje em dia pouco se escuta, mas que tem seu valor maior que aquilo que muito se escuta. Tinha vários nomes ali: Noel Rosa, Nara Leão, Rita Lee e por ai vai. Seja dita a verdade, eram todos pirateados, com suas capas desbotadas e seus discos marcados a canetão azul e vermelho, vermelho e azul, com a única finalidade de distinguir um do outro e nada mais. De resto, seriam todos os mesmo pedaços de... sei não.  A seleção é boa mesmo, pensei eu, mas tá tudo ferrado, concluo eu.
E não fez diferença nenhuma porque cópia virtual daquilo é fácil de encontrar e pronto. Acabei por abandonar a sacolinha velha em uma lixeira mais velha ainda e é assim que a história deveria terminar. Deveria, mas não irá. É que Foz do Iguaçu tem o dom de me surpreender sem me surpreender e isso me assusta. Há pouco menos de um ano aqui já existe na gaveta material para um livro inteiro de contos, e inspiração para muita poesia – se bom ou ruim eu sei lá, mas estão aqui. A sacola de cds velhos com seus antiquados e arranhados artistas quase esquecidos, gritou lá do fundo da lixeira quando lhe dei as costas e me pus a caminhar, e nem percebi a principio - o que a fez gritar mais. Quando me virei para amarrar a boca da infeliz, tinha outro infeliz ali me encarando, com o plástico na mão:
- Hei seu moço, tem certeza que não vai querer isso aqui? – e eu nem perguntei o nome dele, agora que paro para pensar, mas estava meio rasgado, jeans sujos, pés descalços e o cabelo sambando na cara da sociedade. Se pudesse o chamaria de Israel, sei lá por que.
- Estão todos muitos riscados e eu nem tenho como reproduzir, então não quero mesmo – e eu nem me perguntei se o dono daquilo tudo havia deixado o tesouro inútil ali por ter pegado de rabo a mesma conclusão.
- É som do bom, eu vou levar então – falou Israel vasculhando aquele mundo plástico.
- É do bom mesmo, eu brinco que no meu enterro vai ser tocada Fita amarela do Noel – e era verdade mesmo, tenho amigos de testemunhas.
- Noel é do bom, meu pai tocava pra mim. Quando mãe morreu a gente tocou Meu barracão com a Bethânia cantando, mas eu acho que ela ia preferir Não tem tradução, seu moço. Gostava muito – e eu nem percebi na hora que Israel estava triste.
Dá saudade, seu moço, dá saudade.
- É verdade – disse com a cabeça baixa, olhando meu pé calçado. E nem dei tchau a Israel, que sumiu antes que pudesse fazer qualquer coisa.
Fitei a lixeira e vi que a sacola estava lá. Dei as costas e saí andando.
Perdi a bossa, e voltei ao barracão.