terça-feira, 20 de março de 2012

Diálogos Silenciosos V

E quando a montanha explodiu, espalhando pedaços de algo que não se soube o que era, o abismo se mostrou frente a ambos e se calaram. O céu pintou-se de cores que não se soube quais eram, mas não eram cores da noite ou do dia, eram uma mistura, uma epifania que expulsava do peito de ambos aqueles sentimentos inversos que os repelia e tentavam desfazer algo que não se soube para criar um outro algo que os dois sabiam. Ali, na beira do abismo, se sentaram, com as pernas balançando sobre o imenso vazio azulado; sobre a grama amarelada que resgatou-se da escuridão, mãos se retorciam: uma queria tocar a outra, a outra queria deixar-se fria:

- Você vai embora? - disse aquele com a camisa na lua
- Eu não sei - disse aquele com a camiseta no sol
- Não se vá, fica comigo - sonhou aquele que sonhava na lua
- Por favor, para... - chorou aquele que chorava no sol
- A noite não merece a luz do sol
- Sonhei que a noite ao sol sorria
- A lua reflete o brilho do sol
- O sol é amigo do dia
- Mas no crepúsculo eles podem viver
- Sol e Lua é utopia
- A lua reflete a luz do sol
- A noite abomina meu brilho de dia
- Talvez um eclipse...
- Talvez...
E quando o mundo parou, já ninguém mais sorria. Cada um era seu astro, cada astro a si mentia:

- Não se vá, fica comigo - chorou aquele que era a Lua, enquanto sua mão estendia
- Por favor, para... - sonhou aquele que era o Sol, enquanto sua mão recolhia.

E os tempos se calaram.

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