quinta-feira, 26 de abril de 2012

Canção à Segunda alma



E eu me desdobrei disperso
Procurando ritmos em silêncios escuros
Tudo mudo,
Mundo in verso.

Quantos poemas desnecessários
E romantices exagerados criei,
Para que em um momento me achasse enamorado
Dessa outra parte
Que ai dentro depositei.

Desmembrando-se aos poucos
Bebendo do choro como quem bebe
Água ácida assim
Da chuva.

Andando de madrugada, conjecturando
Uma manhã que não ouvirá
Porque o peso da segunda alma
Está longe
Tão longe
Ao meu lado
Perto,
Do lado de lá.

E o desencontro matinal com  o espelho...,
O reflexo que não condiz e tanto faz

É agora canção sem música
Grito sem silêncio.

É  só a outra parte da laranja
Cambaleando
Se contorcendo.

É a outra metade
Que chora
E sofre
E sorri.

Sempre sozinha,
Assim,
Só minha,
No relento.

Para negar que te ama.
Para dizer que não estou aqui.
Para esquecer uma meia dúzia de fatos,
teu sorriso falso
que não nota o afago
E nem ao menos finge
A mim.

Só ideia solta sem ritmo sem nota e sem vírgula assim.

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