terça-feira, 3 de abril de 2012

A Unila não existe, seu moço. E agora?


E a chuva cai sobre a uniamérica, sobre Foz do Iguaçu, mas não sobre mim, enquanto me atraso para aula e desisto dela. Sentei aqui nesse banco, abri meus textos e comecei a ler. Nostalgia demais em um código tão simples - a escrita. Maria Bethânia cantando nos meus ouvidos enquanto espirro (atchim! Atchim! ATCHIM!) em desespero.
Sinto saudade de casa e escrevo em negrito, porque assim o texto fica mais carregado e me esvazia. Lembro do quarto e da sala, do cachorro correndo atrás de mim no quintal, das brigas e dos risos e concluo que o espaço é importante para uma família: (ATCHAMM!) sem o quarto não teria vídeo-game com irmãos, sem a sala não teria conversa com amigos, sem quintal não teria o cachorro correndo, sem tudo junto não teria onde conversar com pai e mãe e irmãos e irmã e todo resto.





E volto à chuva de Foz do Iguaçu, me torno pierrot e ela meu choro. Eu já disse antes quevoltei para o barracão, mas agora nem isso. Olho em volta: o espaço em volta é um imenso vazio com pessoas indo e vindo e voltando. Alguns param e me olham por um segundo antes de concluir a falta de importância nisso e se vai. Terceira semana nesse lugar e nem sei mais o que se sente. Mas o que não sinto são saudades de uma casa nessa cidade.
É que unileiros “tem” dinheiro mas são sem-teto, e em uma epifania pífia do universo uma voz muda lambe minha orelha e balbucia que a gente não existe; que não sou nem um crachá para mostrar, porque nem isso tem mais significância. Nos tornamos (atchim!) capivaras sem rosto, andando para lá e para cá sem lugar para ficar.
Nem corpo há, e a alma não tem rosto. O que é que somos, Rosset? Um real ou um duplo? Eu sei lá... Por isso escrevo em negrito. Lembro de ontem a noite e daquele desabafo virtual e choro – pois agora sou a chuva e ela meu choro; lembro das palavras e dos poemas e choro – porque eles são minha alma, que é a chuva que agora começa a morrer; lembro de casa e choro – porque a chuva que sou eu começa a cessar; ouço Maria e choro, porque me lembro da Unila que não existe e me pergunto como posso lembrar e sentir falta de algo que nunca existiu.
Choro em negrito. Negrito deixa tudo mais forte. Tempestade e luto. Só luto em um texto não-revisado e mal escrito.
E ninguém apita.


3 comentários:

  1. Ahh Henrique está um pouco triste, mas expressou muito bem !! Espero que esse seu negrito se transforme em "normal"

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