quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sem interrogações

e de vez em quando me pergunto
de vez em quando o eu indago
por que tanto tempo corrido
de onde tiro o último trago

e como se pode gritar o silêncio
com o eco do lado enamorado
que se desamarra e aquece
se desdobra
e me esmago

e ninguém responde

como se o ar soprasse o alento
e de quando em quando
o calor apago
a ponta de cigarro entre os dedos
e o querer o calar o ir e o desesperado

uma estrela falsa e decadente
que satisfaz o primeiro desejo

sem querer
sem calar
sem ir em frente

me desesperando
e andando

contundente

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Outra merda

can't sleep
can dream
can't put a ring on your finger
can you put a smile on our face?
can you leave from the yard
and take me to the grave?

what's going on
and what happened?
I cannot feel the sound
I'm just broke in reverse
now everything scream so loud

tell me how to dance
tell us how to sleep
come on, take to the breakdown
let's fall in love and kiss

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A merda

houve um tempo
em que o cigarro não gritava
meu café me abraçava
e o pôr-do-sol satisfazia

foram aqueles dias
de alma não enamorada
de escolhas velhas
e mal passadas
que se podia evitar

os momentos incertos
de andar na rua sem chinelo
e sorrir sem saber o porquê

de ficar de vez em quando
de não beijar todo dia
a sensação de abandono
e ter colo de mãe

agora tudo ficou difuso
minha vontade nem sei mais
é só ao outro o oportuno

e desdobro o pensamento
castigo o meu estar e o incenso
dos dias de pais
de onde fugi

o fantasma não canta mais
golias não canta mais
ninguém canta mais a mim

mas eu canto por todo mundo
acendo cigarro
encontro a vela do mundo
e o todo
esse mundo todo se triplica

e fico na janela com o cigarro gritando
o café faltando
e o pôr-do-sol atrás das minhas
costas.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Eu queria poder dizer muitas coisas olhando nos teus olhos mas a verdade é que não sei fazer nada além de escrever e sei que você não fará nada além de olhar, ler, não pensar, e esquecer então é o fim mesmo.

acostumado
a ficar
todo hora
todo dia
angustiando e distante
te olhando
calado em
demência constante
fingindo
te ignorar
só pra que
deseje a mim
ao teu
lado.

Já aconteceu

e se um dia eu cansasse
de dizer que te amo
ia me odiar com tanta verdade
que o faria pensar o contrário
para que me desprezasse
e me deixasse no abandono

e se um dia eu desejasse
voltar a andar contigo
poder tocar de novo os teus cabelos
segurar tua mão,
como naquela noite,
ao menor sinal de perigo;
se um dia me visse novamente como amigo,
que seria de mim ou dos nós em nós?

se eu parasse de falar contigo calado,
e me rendesse a tentação
de submeter-me a essa utopia
e me pôr, por fim, ilusório
que é que seria?

o que vai acontecer às minhas mãos cortadas,
essa sensação recalcada,
de ódio que não nasce
e faz crescer o amar?

porque chega hora que não basta fingir que odeio
por saber, que no fundo e na superfície,
nem isso sente por mim,
e é nessa hora que sou Sol em busca de tu, Lua,
triste e apagado.

Quanto tempo vai levar,
até eu morrer,
e ser condenado a viver às prisões de minhas próprias ilusões -
ser teu amado?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Vou-me embora pra Sabores (da Brasil)


Vou-me embora pra Sabores
Lá meu cartão é rei
Lá tem a cerveja que quero
Em copos gelados, que eu sei


Vou-me embora pra Sabores
Vou-me embora pra Sabores
Aqui nem sou feliz
Lá as coisas costuram
De forma tão inteligente
Que a Unila, louca e cheia de manha,
"Imperatriz" e negligente
Se torna o amor doente
Do amante que não tive


E como caminharei, na lástima
Vou me por em bicicleta
Correrei por entres os carros
Subirei na melhor mesa
Vou comer shawarma e amar!
E quando estiver borracho
Caido, como um qualquer vil
Mando chamar o garçom
Pra guardar minha história
Pois logo não serei menino
E alguém irá me podar
Vou-me embora pra Sabores


Na Sabores tudo é louco
Louco em união
Tem pessoal seguro
Pra parir a confusão
Tem mesa amarela
Tem cadeira a vontade
Tem travestis bonitas
Pra gente paquerar


E quando me ver sem riso, triste
Sem alegria e sem direito
Quando a noite vier
E a morte me chamar
- lá meu cartão é rei -
Terei o lanche que quero
Na mesa que escolherei
Vou-me embora pra Sabores

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dedos

deu me dor nos dedos
costurei a carne
descolei os medos
comi das minhas cinzas
desdobrando o azul
corroendo vertigens
dessas férteis minas
como o nada na neblina
desse medo blue

deu me dor no colo
costurei tudo a unha
degolei o ego
decolei eu-feto
degustei aleivosias
comendo da chuva
correndo da lua
demente em poesia

chorando e cantando e sorrindo.