quarta-feira, 29 de agosto de 2012

e a minha vai continuar ali sozinha
a sua também
vai continuar longe da minha
mas vou treinar ela aqui
para parar de chamar a sua
ficar em silêncio
e continuar parada
esfriando como a tua
e

Disfarçar pode ser uma boa

os mundos dizem sim
você diz não
e a alma chora
porque é coisa de alma
sem essa de coração dando as mãos
e vai ver é melhor me calar
ficar meio vesgo
parar de não parar
porque golias anda hipócrita
eu ando meio insólita
e promessa
não sei qual
é promessa

canta, canta
preso na gaiola
meu pássaro Azul...

terça-feira, 28 de agosto de 2012


Fazia tempo, muito tempo, tempo de mais, uma eternidade, bem grande, e bem distante, parecida com o ontem, ou amanhã, que Golias não me deixava o retratar.

Hoje ele deixou.

Depois de o ver parado, sozinho, em meio a multidão, olhando para mim, caolho e sem máscara - eu não o via sem máscaras há tanto tempo quanto. Aí ele sorriu, e eu passei o dia angustiado com medo dele ir embora - eu pensei que ele fosse embora depois de ontem, Adriano, te comentei, mas ai não sei.

Hoje ele voltou.

Até perguntou de NiNi. Como a primeira vez que vi o nome de NiNi foi em uma parede branca, com tinta verde, falando de primavera, ele achou que NiNi era um limão. Ai veio querer saber. Ai eu tentei explicar. E ele me falou qualquer coisa sobre existência. Disse que o "estar" é realmente melhor que o ter e ser, como eu falei ontem, Adriano, e já comentei contigo, William, mas disse que eu nem ele sabia porra nenhuma sobre isso.

Hoje ele chorou.

Aí o Adriano, Alejando, me falou algo sobre Ana, que o fez acordar e lembrar de NiNi. Ele me disse que tem gente por aí que acha rídiculo eu ficar falando dele, porque eu faço ele parecer um personagem, e é isso que ele quer ser. Mesmo não sendo. Mas ainda acha que NiNi é um Limão. Não limão. Ai me disse que Limão é doce e azedo, e que não quer conhecer NiNi, não agora, só depois. Depois de um amanhã. Ai eu perguntei por que. Ai ele me disse que se ele for Limão também, eu posso chupar limão e ai chupar a existência dele quando ficar sozinho, se ele for embora um dia. Porque se ele é Limão, ele é limão.

Hoje ele explicou.

Limão é azedo e doce. Saudade é azeda e doce. Ai eu não entendi, mas é isso.

Golias tá feliz hoje e manda abraços a quem tem me ajudado a ficar feliz também.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

deus

dê eu
dê eus
de eus
deus
eu
eus de
dEus

egoísta e preguiçoso

Mais um Sem Nome no mundo

eu sei que as coisas são sinceras desse lado
e sei que elas são verdades do seu jeito
não dá pra mentirizar
essas coisas
desvendadas
que arrancam pedaços no peito

mas é que eu sei que desse lado também é certo
são certezas iguais as tuas, mas de outra forma
que mentiriza o verbo perfeito
porque ele não é verbo feito
é essas coisas
desvendadas
que arrancam pedaços no teu peito

eu sei que agora não sei mais nada
sei também que haviam espelhos nos olhos
pregados por fora

mas é sincero o medo
que-


que porra nenhuma,
eu vou ali fumar um cigarro

coexistência: vazia

desilusão

é quando o céu fica quieto
a árvore fica quieta
o amigo do seu lado fica quieto
e o todo o universo fica quieto

pra te ver chorar

domingo, 26 de agosto de 2012

coexistência: malditos artistas


Meus artistas,
empunhem suas canetas,
afiem seus pincéis
refinem seus dedos, vozes e agudos.

Dizem que tem guerra no horizonte,
e o horizonte é absurdo.
Não há erros no meu blog.
Seus olhos é que precisam de menos ortografia.
mais um dia cinza
pro
pássaro
na minha
cabeça
ficar um pouco mais
azul

Amor o caralho

você grita
você chora
chamam a polícia
e tu xinga deus
eu
e a aurora

e depois vem de cana
me enche a porra do saco
fica nu na cama
e eu gosto de carne crua

ai vem com esse papo de merda
de que errou
e todo mundo erra
e eu faço o favor
de desenhar
mais um erro
pra você
e eu fico aqui
com a música
ouvindo passos
na minha cabeça

sábado, 25 de agosto de 2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

WHO

i hate u
n i hate myself
n the morning
n the nite
n this day

i love you
n i luv myself
n the bugs
and all the goo
n the hate
between
me n you

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Conversa entre dois covardes

eu
e você

sabem muito
muito
muito bem o que falar

rolam na cama
sem
nudez
com pouco pijama

e observa o escuro

um xinga
o outro também
só para
maximizar
o a borboleta morta
no meio do caminho

só para
impedir
a metamorfose
e ai
ri
riem
rio só

e o que é de verdade
fica como verdade
porque
negar
não dá

dois covardes
só sabem
calar os olhos
abrir a boca
e
o silêncio
chamar

domingo, 19 de agosto de 2012

E toda aquela água coberta de plástico

a gente tava lá
e tava tudo bem
e eu fui na frente
e toda aquela água
e toda aquela escuridão
e você veio depois
e eu fui indo até você
e eu quase fiz besteira
até um demônio desconhecido
aparecer.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

coexistência: medo

hoje eu sou o tédio
ontem eu fui teu medo
amanhã vou ser todas as possibilidades de utopia

só pra te manter sozinho,
e dobrar teu chifre -
quebra tua espinha.

eu confundo tudo

chamando minha plenitude de
utopia
vendo maldade em tristeza
dentro dessa
melancolia
fazendo rimas  piegas para correr
dos porquês
achando que a natureza é só minha
quando na verdade ela não é
e imaginando a possibilidade de um caminho
só pra sentir como o de verdade é

eu confundo tudo
eu nem sei o que quero dizer
eu nem sei se me quero
se quero ele
ou se quero você

mas eu no fundo eu desejo o nada
e desejar é chama selvagem demais
não dá pra se controlar
mas apaga-se sozinha
assim como só começa a cantar

com o fundo eu me confundo,
e me desfaço até a superfície só pra nos enganar de novo

um cão anda luz sem patas
eu quero cortar teus olhos e arrancar tuas pálpebras e colocar ai algum olho de olhar novo

mas eu confundo tudo
e formigas saem das minhas mãos
e eu no fundo me sinto supérfluo
e me escondo

vou fazer de contas, sem ser romantismo
vou fazer de verdade, em romantilidade

porque eu gosto de confundir tudo
e eu ainda vou viajar no tempo, com esse equilibrio em três

então segurem minhas mãos amputadas
eu confundo tudo
eu quero confundir tudo
quero todos confusos

só para me sentir ainda mais confundido

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Poesia Pagã - a muda


Ah, cala a boca
Cala essa coisa e essa mania
Vem cá, vai
Cala essa boca
Tô cansado desse teu discurso barato
E toda essa idiota dicotomia

Anda, cara,
Anda de ré pra cá
e se vira pra mim
e cala essa boca

tô nem ai pros meus problemas
Ou essa tua fama de Messias

Vermelho, azul, acizentado
Cala a boca, Messias
Cala a boca
Tu tá vomitando
Aleivosias

Vem, vai, encaixa
Cala a boca
Cala a boca
Cala a boca
Porra, cala a boca!

Cala a boca e me chupa.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Triste por você que não tem barba.

Obesidade


Nosso corpo é uma bola
Gigante e ondulada
e eu tô nem ai pra nada, porcaria!

Meu pau tá escondido
A vagina dela tá em latas
e a gordura é de histeria

Mas quando meu corpo
Toca o dela
e o dele toca o meu
E você inveja minha falta de virgindade
E condena a putaria em tua mente todo dia

eu gozo pra caralho!
não
ainda não

domingo, 5 de agosto de 2012

Desse apego

é a solidão
é a solidão
é a solidão
só isso
só ela
ou ele
é o solidão
é o solidão
é o solidão

chamado do abandono
gritando por um abraço de pano
uma palavra em suspiro
um chamariz de faíscas
o arco sem flechas de todos cupidos

é isso
é isso
sempre por causa daquilo
sempre depois das pequenas verdades
a dor de olhos sempre fechados
ao se abrirem para a luz
e deixarem o escuro

é solidão
só solidão
clamado pelo abandono
olhando os desejos
cumprimentando o desapego

Falo em tua boca

com preguiça
de decassílabos indecentes
sem a nobreza imunda
da métrica fumada
vazia
e desleixada
que injetaram em teus buracos
d
   e
      v
        a
          g
             a
                r
como quem nada quer dizer
sobre isso aqui, que não queria se calar

penetro, surda, a tua mente
e divago cambal e a  n  t       e
pelo suor
da tua barba escura e com cheiro de gim

meus dedos metidos ládentro
eminh'alma aqui fora
se é orgasmo por orgasmo
te masturbo nas beiradas
e gozo hoje mesmo
talvez agora

calando cada medo e a dor que ninguém sente
o cantar de noite
o sangue que escorre
e a pontada diária no teu dente

sem agasalho
nem camisinha
e
u

f
a
l
o
ereto

hostil
e sem nexo
dentro dessas coisas de corpo e de poesia

sábado, 4 de agosto de 2012

Tua poesia é uma merda


Vai babaca,
bate palma,
bebe vinho,
ri das minhas piadas
que eu rio da tua cara,
chupo a tua rola, guri
penetro tua cara, mulher
e te deixo feliz, homem de varinha

todos nós um bando de hipócritas
que gozam toda hora
a falta de gozo
do incerto
das vontades
e da fantasia

fazendo de conta que tudo é lindo
que não há beleza no escuro
e que amanha de manhã
vai acordar
pra gozar
da porra de um novo dia

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sozinho

ele canta sobre janta
eu falo do almoço
sentado na mesa branca
janelas à frente e para trás
e o sol do meio dia
sem hífen pra conectar nada
nem ninguém
nem palavra
e meu papel é a parede
e a parede sou eu
e eu não quero me dizer
e fica todo assim
sem nada
só assim
só sem sol
como o sol que está só
eu papel
parede crua
nua

...

Flame of desire

Just come to my arms tonight,
baby of mine.
We can make sandwiches
Drink some gim
Watch your wall
full of word-stars
Then go to your bed
Make love
This special kind of ilusion
And dream about alligators.