domingo, 22 de setembro de 2013

M.E.

era uma casa pequena
de palavras não-ditas:
ao lado os passos da tarde
do outro o calor decadente

eram dias de verdade,
a serem transformado em mentira:
em cima a pele calada
embaixo a indiferença vizinha

e passaram dias vivendo ali,
sorrateiros em ódio eminente:
por fora a alegria eterna
por dentro a tristeza perene

saudade vem e vai
saudade
vai

só eu que não

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ao Rei.

um dia desses
te olhei chocado:
o meu sangue azulado nos teus dedos
o teu riso de demônio acanhado

olhei em volta
vi desespero em forma de espelho
fiquei asfixiado

aos poucos o corpo se acostumou com o medo
e teus dedos molhado tocaram os próprios lábios

a carne destruída no peito
a carnificina do teu ego inflamado

os livros jamais desenhariam, percebo
como a destruição, tua sombra,
me atraiu para o teu lado

para nada.



sábado, 31 de agosto de 2013

Melô das Capivaras

na fronteira, não tem jeito
unileiro é sinônimo de defeito
bancado por babacas patriotas
apostando no escuro
por um monte de lorota

mi papá  y mi mamá
la em casa choram o drama
de ter um filho maconheiro

che, que brava a mão branca
desse povo desperdiçando dinheiro

é por isso que eu ando por ai
com camisa vermelha
pra mostrar pra foz do iguaçu
que essa gazeta diária
só me fala besteira

ando apanhando na rua,
por ter livros na mão,
mas é massa
porque ao meio-dia serei notícia
e anúncio de prisão

já que na fronteira não tem jeito
unileiro, tudo filho da puta
só causa problemas
e desprezo.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

[[Insônia entre Colchetes]]





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Eu não te amo, só quero que você perceba que, na verdade, a memória é tristeza. Fui navegando na malícia do teu medo e [você] me fez de lobo em pele de cordeiro só pra te ver chorar.


  1. Agora grita, diz que não me ama, que só quero tua cama e teu lábio melado - de que?
  2. Agora chama, começa todo o drama, morde minha perna, minhas patas, minha lama - te quero meu amor....

[[a verdade é que eu nunca soube ao certo, o que de certo se fez dessa nossa loucura interminável, em busca de uma cura pra uma doença que você criou e eu, as vezes, me pergunto, sem detalhes, sem escrúpulos, se valeu a pena todo o texto mentiroso, que saiu da tua língua para minha língua, em um rio de hipocrisias, que se camuflaram e que me escondia, no desejo morto de viver ao teu lado]].

Chora o meu amor.

   3.  Agora clama, em silencio que me ama, que foi tudo um erro, teu desejo banhado na cana.

- Então me diga: de quem foi a armadilha? Se no show dessa lorota tua prosa é que declama?
- Se me odeia...
- Diz ao mundo tudo que receia!
- Fala pra ele-
-Que eu te fiz?
- Fala pra ele-
- Que foi que eu te fiz? Chora de agonia, tu não merece um chinelo rasgado pisado na lama.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

poemice

odeio
essa ideia
sua
de querer
ser minha

disse o alface pro azeite da vizinha

Malditas fotos

- fiquei cego
- com o vento das asas de água,
- ou como a beleza do incerto?
- não, fiquei cego de utopia
- ora pois, me diga
- desejo noturno, ou da madrugada
- era sensualidade delicada..
- banhada em poesia.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Adieu

eu sei que debocharam
falaram que toda a dor foi esquema

gargalharam das marcas
caçoaram do dilema

mas se transformaria em reprise
da noite pro dia
choraria de novo
e sorriria

- amar vale a pena
- eu sei, foi o que ele disse enquanto morria.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Tapa

saiu chorando por ai
se lembrando sem graça

do dia em que sua mãe
chorou
e lhe encheu
a cara
de bolachas

Parabéns

Feliz aniversário

esse é mais um dia triste
sem pássaro
sem canto

sem promessas
nem ensaios

Feliz aniversário

sábado, 20 de julho de 2013

metafísica literária

estava olhando a janela
- como?
assim, olhando por ela
- hmm

olhando pra janela
e escrevendo sobre a porta ao lado que se fechou

quarta-feira, 10 de julho de 2013

fim, em letras minúsculas

naquele mês de março
dias antes do meu aniversário
descobri que charxarchar
era o nome da excitação longínqua
que ofuscava a minha
que a líbido virtual daquele
era o sinal da destruição de tudo
que a gente tinha

e acordava chorando em teus braços
e gritava em silencio socorro

(((eco vazio no espaço)))

e então você se foi
e eu soube ali
que havia me perdido
enquanto lutava
contra o "te perdi"

e a bola de neve se tornou bosta
e eu tropecei
e nela me fundi

porque crescia em mim
a certeza que o caso nao era isolado
a certeza óbvia que não haveria mais amor-meu do outro lado
e foi bem assim

daí a ideia de perseguir teu byte-passos
de lutar contra mim mesmo
e entender que tudo era só
bobagem virtual jogada ao caso

sofri

não que eu te ame demais
é que veio pra mim
a certeza
de que logo logo
o virtual ganharia carne

e você desistira de tudo aquilo que nos fez sorrir

terça-feira, 21 de maio de 2013

É arduo

folhas secas
caem no quintal
pensei ter visto
um vulto azulado dobrar esquinas
me esquivei
me desviei
rejeitei o escuro
mas ele chegou

um pássaro distante cantou
pra mim
de dentro das folhas
mortas no chão

pensei ter ouvido seu espectro
passeando por vultos azulados além da esquina
corri
me aprecei
mas a sombra escorreu por entre meus dedos

um pássaro antigo cantou
dentro de mim
e folhas secas erguidas
me viram morto no chão

terça-feira, 14 de maio de 2013

a vida tem capítulos assim:

enquanto o lado daqui
de triste chora
o lado de lá
é feliz e sorri

in between

- minto por medo
- mentira
- mentira que minto a mim mesmo
- mentira
- sorrisos leves de outono
- mentira
- alegria singela de primaver
- mentira
- eu sei...

é tudo mentira.

O dia em que Golias morreu

foi retratado
em
minha mente
em
páginas de algodão

ideia palpável sobre a vida

- poeta?
- sim, poeta
- poeta...
- sim, poeta?
- me diz... poeta...!?
- pois digo: poeta.
- poeta... tudo que não quero ser.
- tudo o que?
- tudo em mim e você

ideias palpáveis sobre a morte

se o real é minha carne
então que o sentir
carece sentido
é virtual
e contraste
de um mundo inaudível

se minha carne só é palpável
pelo sentido que não vejo
então a crase
da verdade
diz respeito ao meu medo

e minhas ideias invisíveis
são bytes não comutáveis
e os sentimentos risíveis
são uma matrix da realidade

justificando todo desabafo dessa tela

relógio suicida

tic tac
tic tac
tic tac
tic tac
ti..c tac
tii... tac
ti..ta
t... ta
t
t
tu
tu
tu
tu
tu
tu

domingo, 12 de maio de 2013

nia

- um mundo em que cada verso
- é um tiro na cabeça
- mas a morte fugirá deles
- e nós correremos pra ela
- o que você acha
- digo eu a mim
- eu não sou poeta
- eu sou tudo
- queria ser nada
- zero
- absolutamente
- um zero

esquizofre

me lembro
de fora da caixa
de tempo em tempo
a esperança de promessa
chovendo tristonha
gotas de segredos inversos
envoltos em paloma
dançando de mal dadas
sob os pés do tyamu
esquecendo seus sentidos
pra esquecer a falta
cheirando a abandono

terça-feira, 19 de março de 2013

Ad

em noites de chuva
azul lá fora
em dias de glória
azul aqui dentro

de pássaros em pássaros
anda por ai a gaivota
e a viola canta

doce semente de nenhuma planta.

ahhhhhhhh

ahhhh, dindi...
se eles soubessem
que não machuca
amariam
mais e mais

domingo, 17 de fevereiro de 2013

espelho

deixa
eu te contar
um segredo

eu sou o canto
escuro do teu
quarto
eu sou o lado
claro
dos teus medo

eu sou o
que se esconde
atrás
do teu retrato

eu sou
tudo aquilo
que finge
o teu
desejo

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Trago o último trago

sua juventude
os carros que passam
a fumaça

a fumaça do meu cigarro

tudo efêmero
tudo nem percebi

quando menos se espera
eis ai
o temido e esperado
último trago