sábado, 31 de agosto de 2013

Melô das Capivaras

na fronteira, não tem jeito
unileiro é sinônimo de defeito
bancado por babacas patriotas
apostando no escuro
por um monte de lorota

mi papá  y mi mamá
la em casa choram o drama
de ter um filho maconheiro

che, que brava a mão branca
desse povo desperdiçando dinheiro

é por isso que eu ando por ai
com camisa vermelha
pra mostrar pra foz do iguaçu
que essa gazeta diária
só me fala besteira

ando apanhando na rua,
por ter livros na mão,
mas é massa
porque ao meio-dia serei notícia
e anúncio de prisão

já que na fronteira não tem jeito
unileiro, tudo filho da puta
só causa problemas
e desprezo.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

[[Insônia entre Colchetes]]





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Eu não te amo, só quero que você perceba que, na verdade, a memória é tristeza. Fui navegando na malícia do teu medo e [você] me fez de lobo em pele de cordeiro só pra te ver chorar.


  1. Agora grita, diz que não me ama, que só quero tua cama e teu lábio melado - de que?
  2. Agora chama, começa todo o drama, morde minha perna, minhas patas, minha lama - te quero meu amor....

[[a verdade é que eu nunca soube ao certo, o que de certo se fez dessa nossa loucura interminável, em busca de uma cura pra uma doença que você criou e eu, as vezes, me pergunto, sem detalhes, sem escrúpulos, se valeu a pena todo o texto mentiroso, que saiu da tua língua para minha língua, em um rio de hipocrisias, que se camuflaram e que me escondia, no desejo morto de viver ao teu lado]].

Chora o meu amor.

   3.  Agora clama, em silencio que me ama, que foi tudo um erro, teu desejo banhado na cana.

- Então me diga: de quem foi a armadilha? Se no show dessa lorota tua prosa é que declama?
- Se me odeia...
- Diz ao mundo tudo que receia!
- Fala pra ele-
-Que eu te fiz?
- Fala pra ele-
- Que foi que eu te fiz? Chora de agonia, tu não merece um chinelo rasgado pisado na lama.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

poemice

odeio
essa ideia
sua
de querer
ser minha

disse o alface pro azeite da vizinha

Malditas fotos

- fiquei cego
- com o vento das asas de água,
- ou como a beleza do incerto?
- não, fiquei cego de utopia
- ora pois, me diga
- desejo noturno, ou da madrugada
- era sensualidade delicada..
- banhada em poesia.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Adieu

eu sei que debocharam
falaram que toda a dor foi esquema

gargalharam das marcas
caçoaram do dilema

mas se transformaria em reprise
da noite pro dia
choraria de novo
e sorriria

- amar vale a pena
- eu sei, foi o que ele disse enquanto morria.