domingo, 22 de setembro de 2013

M.E.

era uma casa pequena
de palavras não-ditas:
ao lado os passos da tarde
do outro o calor decadente

eram dias de verdade,
a serem transformado em mentira:
em cima a pele calada
embaixo a indiferença vizinha

e passaram dias vivendo ali,
sorrateiros em ódio eminente:
por fora a alegria eterna
por dentro a tristeza perene

saudade vem e vai
saudade
vai

só eu que não

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ao Rei.

um dia desses
te olhei chocado:
o meu sangue azulado nos teus dedos
o teu riso de demônio acanhado

olhei em volta
vi desespero em forma de espelho
fiquei asfixiado

aos poucos o corpo se acostumou com o medo
e teus dedos molhado tocaram os próprios lábios

a carne destruída no peito
a carnificina do teu ego inflamado

os livros jamais desenhariam, percebo
como a destruição, tua sombra,
me atraiu para o teu lado

para nada.